Reconhecimento dos cavalos como animais de estimação avança, mas IHP alerta: o desafio é a rastreabilidade e os abates clandestinos

IHP defende reconhecer os cavalos como animais de estimação, mas pede controles mais rigorosos para combater abates clandestinos (máx. 155 caracteres).

Reconhecimento dos cavalos como animais de estimação avança, mas IHP alerta: o desafio é a rastreabilidade e os abates clandestinos

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Reconhecimento dos cavalos como animais de estimação avança, mas IHP alerta: o desafio é a rastreabilidade e os abates clandestinos

Por Aurora Bellini — A proposta para reconhecer os cavalos como animais de estimação recebeu um importante apoio da Italian Horse Protection (IHP), a maior organização italiana dedicada à proteção dos equídeos. A iniciativa — composta por três projetos de lei, entre eles o apresentado pela deputada Michela Vittoria Brambilla — começou a tramitar na Comissão de Agricultura da Câmara e acende um debate essencial sobre ética, bem-estar animal e controle da cadeia produtiva.

No centro de resgate da IHP, em Montaione, nas colinas próximas a Florença, os animais recolhidos a partir de situações de maus-tratos recuperam serenidade e confiança. É essa experiência prática, acumulada por mais de uma década, que a IHP diz ter colocado à disposição dos parlamentares durante a elaboração do texto. Segundo o presidente da associação, Sonny Richichi, reconhecer formalmente os equídeos como animais de estimação é "um primeiro passo importante". Ainda assim, ele ressalta que há limites a serem superados e que a lei exigirá recursos concretos para sua efetiva implementação.

O cerne da preocupação levantada pela IHP é a traçabilidade. Hoje, o sistema de registro equino — o chamado registro/ânagrafe equina — mostra-se ineficiente em pontos cruciais, deixando brechas que favorecem os abates clandestinos. Para Richichi, sem um aperfeiçoamento rigoroso dos controles e sem fiscalização efetiva, a mudança de status legal corre o risco de se tornar letra morta: "Se não melhorarmos o monitoramento, continuaremos a ver operações policiais que revelam redes de abate ilegais, além de processos judiciais ainda em andamento", afirma.

Do lado político, o caminho não é simples. Embora a proposta principal tenha origem em setores próximos à maioria — com a deputada Brambilla (Noi Moderati) como primeira signatária — há outros dois textos similares apresentados pela oposição, assinados por Luana Zanella (Avs) e Susanna Cherchi (M5S). Ainda assim, representantes de associações de criadores e a organização Federcaccia manifestaram reservas: temem impactos negativos sobre a atual cadeia de produção de carne e alertam para as implicações econômicas da proibição do abate direcionado.

Na prática, o reconhecimento jurídico dos equídeos como animais de estimação implicaria o fim do criação para abate direcionado e a proibição da comercialização da carne desses animais. É esse ponto que concentra a maior parte das críticas por parte dos setores ligados à produção e ao comércio de carne equina. Por outro lado, para organizações de proteção animal como a IHP, a mudança representa um avanço civilizatório: não se trata apenas de leis, mas de cultivar novos valores que iluminem um horizonte mais ético para as relações entre humanos e animais.

A IHP destaca ainda que colaborou intensamente com a parlamentar primeira signatária, oferecendo observações e propostas nascidas da prática do resgate, reabilitação e reinserção de animais. Agora, a organização pede aos legisladores que não subestimem a necessidade de financiar e fortalecer os instrumentos de registro e fiscalização. "A lei pode abrir um novo caminho — cabe aos instrumentos de controle garantir que esse caminho seja seguro e real", comenta Richichi, adotando uma imagem querida por quem observa o mundo com olhos de transformadora: semear mudanças e iluminar percursos.

Enquanto o projeto avança na comissão, haverá espaço para debate técnico e político. O desafio é unir sensibilidade e rigor: proteger os cavalos e, ao mesmo tempo, estruturar uma resposta eficaz ao problema dos abates clandestinos. É um momento para tecer alianças entre sociedade civil, instituições e parlamento, permitindo que uma lei nasça com solidez e legado — um renascimento cultural que valorize a vida animal sem perder de vista a justiça e a responsabilização.