Mar como sumidouro: experimento no Golfo do Maine testa aumento da alcalinidade para captar carbono
Experimento no Golfo do Maine testou aumento da alcalinidade para captar carbono; resultados são promissores, mas exigem mais estudos.
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Mar como sumidouro: experimento no Golfo do Maine testa aumento da alcalinidade para captar carbono
Por alguns dias no verão passado, as águas do Golfo do Maine, nos EUA, ganharam um tom vermelho intenso — um espetáculo que lembrava uma proliferação de algas, mas teve origem em um propósito científico: testar se o oceano pode absorver mais carbono ao ter sua alcalinidade aumentada artificialmente.
Pesquisadores liderados pelo oceanógrafo Adam Subhas injetaram no mar cerca de 65.000 litros de substâncias químicas alcalinas marcadas com um corante vermelho, numa experiência conhecida como Ocean alkalinity enhancement (OAE) — em português, aumento da alcalinidade dos oceanos. A ideia é imitar, em escala humana, processos naturais de erosão de rochas que ao longo de eras químicas ajudam a remover dióxido de carbono da atmosfera.
Os cientistas lembram que os oceanos já são naturalmente alcalinos e armazenam enormes quantidades de carbono: cerca de 38.000 bilhões de toneladas na forma de bicarbonato dissolvido. A hipótese testada é que, ao elevar essa alcalinidade com substâncias como o hidróxido de sódio, o mar poderia dissolver e converter mais CO2 atmosférico em formas estáveis, agindo como um sumidouro adicional de carbono.
O experimento ocorreu a cerca de 80 km da costa de Massachusetts, com autorização da agência ambiental norte-americana e supervisão do Woods Hole Oceanographic Institution, em uma área sujeita à pesca intensa de bacalhau, eglefino e lagosta. Ao longo de quatro a cinco dias, a equipe monitorou a dispersão do composto usando veículos subaquáticos autônomos, sensores e planadores robóticos.
As medições mostraram que aproximadamente 10 toneladas de carbono foram transferidas ao oceano durante o teste, enquanto o pH medido subiu de 7,95 para 8,3 — indicando um aumento mensurável na alcalinidade. Em termos práticos, os pesquisadores dizem que, se a técnica fosse aplicada em larga escala e combinada com cortes efetivos nas emissões, poderia ajudar a limitar o aquecimento global a menos de 2 °C acima dos níveis pré-industriais.
No curto prazo, o estudo não detectou danos óbvios a organismos como plâncton, peixes jovens e larvas de lagosta. Ainda assim, enfatiza-se que efeitos sobre peixes adultos e mamíferos marinhos não foram avaliados e exigem estudos adicionais antes de qualquer ampliação da técnica.
Especialistas e organizações ambientais demonstram cautela. Um representante de um grupo ambiental norte-americano citado pela Espresso Italia alertou para os riscos de soluções químicas em larga escala, com possíveis "consequências imprevisíveis". Por outro lado, cientistas contra-argumentam que a humanidade já conduz um experimento planetário ao emitir gigantescas quantidades de CO2 — e perguntam se não vale a pena explorar, com rigor e transparência, maneiras de gerenciar esse legado climático.
Como curadora de progresso, vejo neste estudo uma lâmpada acesa sobre caminhos ainda incertos: o teste no Golfo do Maine não é um atalho mágico, mas um sinal de que a ciência busca ferramentas adicionais para semear soluções. O próximo passo exige cautela ética e ecológica — mais monitoramento, avaliações de impacto em longo prazo e diálogo aberto com comunidades pesqueiras e reguladores — para que possamos realmente iluminar novos caminhos na mitigação climática sem ferir os ecossistemas que sustentam vidas e meios de subsistência.