Putin e Trump conversam por uma hora sobre Irã e Ucrânia: avanço russo no Donbass e apelo à solução diplomática
Putin e Trump falaram por uma hora sobre Irã e Ucrânia; avanço russo no Donbass e apelo a solução diplomática com Teerã.
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Putin e Trump conversam por uma hora sobre Irã e Ucrânia: avanço russo no Donbass e apelo à solução diplomática
Terça-feira, 10 de março de 2026
Em um movimento que reconfigura, ainda que sutilmente, o tabuleiro da diplomacia internacional, Vladimir Putin e Donald Trump mantiveram uma conversa telefônica de cerca de uma hora. No centro do diálogo estiveram os dois temas que hoje desenham a tectônica de poder global: a escalada no Irã — já no seu décimo dia de confronto aberto — e a guerra em curso na Ucrânia.
Segundo o assessor presidencial russo para Assuntos Internacionais, Yuri Ushakov, o presidente Putin enfatizou durante a chamada os recentes progressos das forças russas no setor nordeste do front ucraniano, uma evolução que Moscou considera destinada a exercer pressão sobre Kiev para que aceite um acordo negociado. "O sucesso da avançada das tropas russas no Donbass deve encorajar Kiev a resolver o conflito por meio de negociações", afirmou Ushakov ao relatar o teor da conversa.
A mensagem russa, porém, foi calibrada: de um lado o destaque às capacidades militares e ao ganho territorial como elemento de negociação; de outro, um apelo à contenção no quadro do Medo Oriente. Moscou mantém postura relativamente cautelosa sobre o teatro iraniano, preferindo invocar a necessidade de de-escalation e de uma solução rápida e diplomática.
No intercâmbio com Trump, Putin fez também um gesto político relevante em direção a Teerã: felicitou Mojtaba Khamenei pela designação como nova Guia Suprema e afirmou a intenção de preservar "uma parceria confiável" com o Irã. Nas palavras do presidente russo, o sucessor "prosseguirá com honra a obra de seu pai" e terá condições de manter a coesão interna frente ao que Moscou qualifica como "agressão armada".
Fontes paralelo ao Giornale d'Italia mencionaram ainda rumores sobre apoios externos a Teerã e relatos de inteligência apontando a presença de agentes estrangeiros na capital iraniana. Tais informações circulam no ambiente diplomático como elementos de contexto, mas exigem verificação independente antes de serem tratadas como conclusivas.
O ex-presidente Trump, em breve declaração à imprensa em Miami, qualificou a chamada como "muito boa" e reconheceu o clima hostil entre Putin e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky: "Falamos sobre a Ucrânia, uma guerra que parece não terminar; há muito ódio entre Zelensky e Putin, mas penso que a conversa foi positiva. Putin quer ajudar no Médio Oriente; eu disse que poderia ajudar mais se pusesse fim à guerra na Ucrânia", declarou Trump.
Da perspectiva de análise estratégica, este diálogo é um movimento calculado no grande tabuleiro geopolítico: Moscou combina demonstração de força no leste europeu com apelos à mediação no sul, tentando redesenhar fronteiras de influência sem provocar um colapso diplomático aberto. Para observadores de Realpolitik, a chave estará na tradução desses gestos em compromissos tangíveis — acordos negociados em que os alicerces da diplomacia resistam à pressão militar e às narrativas públicas.
Ao cabo, a ligação evidencia que, mesmo em tempos de polarização extrema, as capitais continuam a recorrer ao canal direto como ferramenta de gerenciamento de crise; o desafio agora é transformar a conversa em arquitetura duradoura de estabilidade.