Peskov: por ora não há cimeira EUA‑Rússia; novo capítulo na crise ucraniana e alegações de deportações de crianças

Peskov afirma que não há, por ora, cimeira EUA‑Rússia; ONU denuncia deportação de crianças ucranianas como crime contra a humanidade.

Peskov: por ora não há cimeira EUA‑Rússia; novo capítulo na crise ucraniana e alegações de deportações de crianças

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Peskov: por ora não há cimeira EUA‑Rússia; novo capítulo na crise ucraniana e alegações de deportações de crianças

Por Marco Severini — Em um movimento que revela tanto os limites quanto os alinhamentos do atual tabuleiro de poder, Moscou informou não ter recebido propostas recentes para organizar um encontro entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump. A declaração do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi lacônica: "por ora não se fala nisso" quando questionado sobre a possibilidade de uma cimeira, incluindo a opção de reunirem-se em Budapeste.

Ao mesmo tempo, a escalada de violência e as acusações internacionais mantêm o conflito ucraniano como um foco central da tectônica de influência entre Rússia e Ocidente. Segundo o Ministério da Defesa russo, citado pela agência Tass, as defesas de Moscou teriam interceptado e destruído 185 drones ucranianos durante ataques noturnos contra regiões russas. Entre os alvos citados está Taganrog e cinco distritos da região de Rostov, onde houve danos a uma linha elétrica.

No terreno humanitário e jurídico, chegam desenvolvimentos contundentes. Uma investigação independente das Nações Unidas concluiu que a deportação forçada e a transferência de crianças ucranianas para a Rússia constituem crimes contra a humanidade. O relatório, antecipado pelo The Kyiv Independent, será apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em 12 de março. A comissão examinou 1.205 casos de rapto de menores e realizou mais de 200 entrevistas, chegando à conclusão de que se trata de um padrão difuso e sistemático.

Dados do registro nacional ucraniano "Filhos da Guerra" documentam cerca de 20 mil casos desde a invasão russa em fevereiro de 2022, um número que ilustra a magnitude do problema e reforça a acusação de práticas institucionalizadas.

No campo das vítimas civis, relatos de agências ucranianas indicam perdas recentes: na região de Sumy, um ataque atribuído às forças russas deixou dois mortos — de 63 e 21 anos — e dois feridos na comunidade de Glukhiv, segundo o chefe da administração militar regional, Oleg Hrygorov, reportado pela Ukrainska Pravda. Em Kharkiv, outras duas pessoas morreram em um ataque na manhã de 11 de março, conforme comunicado do prefeito Igor Terekhov, via Ukrinform.

Em paralelo diplomático, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan sinalizou durante conversa telefônica com o presidente Volodymyr Zelensky que o conflito no Oriente Médio — e em particular as tensões envolvendo o Irã — não devem obstar esforços de paz na Ucrânia. Erdogan sublinhou a importância da segurança da navegação no Mar Negro e defendeu um cessar-fogo que proteja infraestruturas energéticas e portuárias, entendidas como alicerces para reconstruir confiança entre as partes.

O quadro desenha um momento de complexa sobreposição de crises: ataques militares, acusações de crimes internacionais e a ausência, por ora, de um canal direto de negociação entre os líderes dos Estados Unidos e da Rússia. Em termos estratégicos, a recusa tácita a um encontro público entre Putin e Trump representa um movimento defensivo no tabuleiro — uma tentativa de preservar posições e não abrir as portas a concessões simbólicas, enquanto as peças seguem em movimento nas frentes diplomática, militar e legal.

Como analista, enxergo nesses desenvolvimentos um redesenho de fronteiras invisíveis: não apenas territoriais, mas também de legitimidade e poder moral. A apresentação do relatório da ONU ao Conselho de Direitos Humanos terá potencial para alterar o equilíbrio de narrativas e pressionar por respostas que transcendam as jogadas imediatas, definindo o passo seguinte dessa partida de longo alcance.