Luca Casalini bate dois recordes mundiais de apneia sob o gelo no lago de Anterselva
Luca Casalini bate dois recordes mundiais de apneia sob o gelo em Anterselva: 106 m com nadadeiras e 106 m com monofin. Feito com apoio da FIPSAS.
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Luca Casalini bate dois recordes mundiais de apneia sob o gelo no lago de Anterselva
Bolzano, 08 de março de 2026 — Em uma prova que mistura resistência física, preparo técnico e controle psicológico, o apneísta toscano Luca Casalini assinou duas marcas históricas sob o gelo do lago de Anterselva, no Alto Adige. Aos 43 anos, Casalini estabeleceu dois recordes mundiais homologados pela CMAS na modalidade de apneia sem roupa isotérmica: 106 metros em apneia dinâmica com nadadeiras e, em seguida, 106 metros em apneia dinâmica com monofin.
O feito ganha importância não apenas pelo número, mas pelo contexto. Realizar provas de apneia sob o gelo exige logística rigorosa: corte do bloco de gelo, posicionamento das equipes de segurança, controle médico e coordenação entre clubes e federação. Para viabilizar os recordes, atuaram diretamente clubes afiliados à Federação Italiana — entre eles Bolzano Sub - Stc Bozen, Club Subacqueo Rane Nere Trento, o Gruppo Sommozzatori Riva e o Thetis Sub, responsáveis pelo acesso seguro ao lago e pelo apoio técnico durante as performances. A própria FIPSAS (Federazione Italiana Pesca Sportiva Attività Subacquee e Nuoto Pinnato) ofereceu suporte institucional e logístico.
“É um sonho que se realiza. Senti emoções incríveis. Desde criança sempre quis levar as cores da Itália ao topo do mundo e, aos 43 anos, finalmente consegui. Estou muito feliz”, declarou Casalini após os recordes — palavras carregadas de um percurso de anos, treinamentos em água fria e maturidade competitiva.
Do ponto de vista técnico, os 106 metros percorridos em apneia dinâmica, tanto com nadadeiras convencionais quanto com monofin, representam um equilíbrio entre eficiência de propulsão e economia de oxigênio. A variante sem traje (apneia em águas abertas sem muta) amplifica a dificuldade: o corpo perde calor mais rapidamente, o que aumenta o risco de arrefecimento e exige uma preparação física e mental diferenciada. Casalini, veterano da disciplina, demonstrou controle respiratório e adaptação térmica que vão além do gesto atlético — são práticas forjadas por experiência e tradição em cenários alpinos.
Além do valor esportivo, o episódio tem dimensão comunitária e simbólica. Eventos dessa natureza transformam um lago de montanha em palco de uma narrativa coletiva: clubes locais, federação e voluntários unem ciência, técnica e solidariedade para permitir que um indivíduo desafie limites reconhecidos internacionalmente. O corte do gelo, a segurança aquática e o acompanhamento médico revelam como o esporte contemporâneo depende tanto de redes humanas quanto de talento individual.
Em termos históricos, marcas estabelecidas em ambientes extremos — como o gelo — tendem a incentivar novas práticas de formação e pesquisas sobre segurança e fisiologia do mergulho em apneia. Para a Itália, os recordes reforçam um repertório esportivo que alia território, memória e especialização técnica.
Casalini volta agora ao circuito com dois recordes registrados pela CMAS, enquanto os clubes e a federação avaliam as lições operacionais do evento. Para o observador atento, a façanha não é apenas um número na estatística mundial: é um retrato de como o esporte se articula com comunidade, lugar e conhecimento técnico.