Bologna domina o palco de Sanremo 2026: Elettra, Morandi e o Piccolo Coro em noite de memórias e polêmica

Elettra, Morandi, Piccolo Coro e controvérsia com Gassman marcam Sanremo 2026. Memória, emoção e muito Bologna no Ariston.

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Bologna domina o palco de Sanremo 2026: Elettra, Morandi e o Piccolo Coro em noite de memórias e polêmica

Por Chiara Lombardi — Sanremo se revelou, mais uma vez, um espelho do nosso tempo: mistura de espetáculo, memória coletiva e emoção crua. Nesta edição de 2026, houve muita Bologna no palco do Ariston, não apenas pela presença competitiva de artistas emissários da cidade, mas também pelas surpresas e pelos refrões que reabriram histórias — como um bom filme que reencena cenas decisivas.

Do lado das competições, Elettra Lamborghini apresentou-se com a sua verve irreverente e saiu na 26ª posição com Voilà. Já Tredici Pietro, com L'uomo che cade, garantiu um lugar mais confortável na 16ª colocação. Ambos viveram a semana sanremense com profissionalismo e um humor que mesclou leveza e estratégia: Elettra, com as suas piadas sobre os chamados “festini bilaterali” — rótulo que ela mesma adotou para os seus improvisados parties — e Pietro, que atravessou o festival entre cuidados (um inalador, lembrança de uma fragilidade física) e o peso simbólico de ser, sempre, o filho de.

O momento que marcou corações foi, sem dúvida, a aparição surpresa de Gianni Morandi ao lado do filho: pai e filho cantaram juntos Vita, o sucesso de Morandi escrito em parceria com Lucio Dalla em 1988. A emoção foi palpável — um daqueles instantes em que o microfone parece captar mais do que vozes, captura memórias. Para Gianni, a intensidade chegou a quebrar a voz em plena execução, e o público sentiu que assistia a algo quase ritual: a passagem de um legado.

A participação de Morandi, porém, acendeu uma faísca de controvérsia. O ator Alessandro Gassman manifestou-se irritado nas redes, lembrando que, segundo ele, existiria uma regra que impede parentes de concorrentes de participar do Festival. Gassman contou que fora convidado para apresentar a série Guerrieri na Rai1, mas teria sido vetado por ser pai de um concorrente — argumento que, segundo ele, não foi aplicado ao caso Morandi. Carlo Conti prontamente respondeu, explicando que o impedimento referido a Gassman não tinha relação com laços parentais, tentando desfazer o mal-entendido. A tensão, entretanto, permaneceu: o filho de Gassman, Leo, publicou uma história enigmática no Instagram, dando ao episódio um tom de ironia e desconforto público.

Outra presença bolognese de grande significado foi o Piccolo Coro Mariele Ventre dell'Antoniano, que acompanhou Laura Pausini na poderosa e comovente interpretação de Heal the World, de Michael Jackson. A escolha da canção e a participação das vozes infantis transformaram o palco em um manifesto simbólico pela paz — um refrão que, neste festival, soou como um chamado coletivo.

E não faltaram evocações de Lucio Dalla: suas canções e lembranças permearam a noite das cover, onde a memória musical se converteu em matéria viva. Stadio também trouxe seu selo, acompanhando Tommaso Paradiso na serata dei duetti, um encontro entre gerações e referências que reafirma como Sanremo continua a costurar passado e presente em seu próprio roteiro.

Sanremo 2026 mostrou, portanto, mais do que concorrentes e placares: ofereceu um microcosmo do que somos. Entre gargalhadas, polêmicas, vozes tremidas e coros infantis, o festival reapresentou o poder da canção como dispositivo de memória coletiva — o reframe da realidade que a música propicia. E, sobretudo, reafirmou que Bologna continua a ecoar na Itália contemporânea, não apenas como cidade, mas como matéria emocional e cultural, capaz de reaparecer nos atos performáticos que nos definem como público e como nação.