CGIL convoca mobilização nacional dos rider após investigação sobre Glovo e Deliveroo
CGIL convoca mobilização nacional dos rider após investigação sobre Glovo e Deliveroo; pauta exige CCNL, salários e proteção social.
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CGIL convoca mobilização nacional dos rider após investigação sobre Glovo e Deliveroo
Por Stella Ferrari — A CGIL lançou uma mobilização nacional dos rider para o próximo sábado, transformando a investigação da Procura de Milão sobre as plataformas Glovo e Deliveroo numa janela estratégica para exigir mudanças estruturais no setor de delivery. A inciativa visa converter o momento judiciário em pressão política e laboral para assegurar direitos e proteção social aos trabalhadores das entregas.
Em Palermo, a mobilização terá um momento de debate na Casa dei Rider, no Epyc. O encontro, organizado pela CGIL em articulação com as categorias Nidil, Filcams e Filt, contará com a presença de Andrea Borghesi, secretário-geral nacional do Nidil Cgil. A assembleia servirá para mapear demandas concretas e alinhar a estratégia nacional de mobilização.
Segundo os representantes locais da central sindical, Mario Ridulfo (secretário-geral da Cgil Palermo) e Dario Fazzese (secretário provincial com delega à logística), o objetivo central da jornada é colocar no centro do debate os direitos dos trabalhadores, o reconhecimento da subordinação quando esta existe e a defesa dos salários. "Muito frequentemente esses trabalhadores foram colocados diante da escolha entre o direito a um salário digno e a possibilidade de trabalhar em condições inseguras", afirmam.
A CGIL sublinha que é preciso superar o atual modelo de exploração e garantir a todos os rider estabilidade ocupacional e remunerações adequadas. Há um receio legítimo por parte de parcela dos entregadores sobre a transição para o contrato subordinado — temem perda de parte da remuneração ou de autonomia —, mas o sindicato entende que a investigação da Procura de Milão ajudará a esclarecer a linha entre quem precisa do contrato coletivo e quem opera com autonomia efetiva.
Os sindicalistas apontam para disparidades evidentes entre plataformas: enquanto operadores como o Just Eat aplicam o CCNL logística, transporte, mercadorias e expedições, nas plataformas Glovo e Deliveroo se observam diferenças salariais e piores condições, em grande parte provocadas pela gestão inadequada do algoritmo que pauta escalas e oportunidades de trabalho. Essa "autonomia" é, na prática, falsa: a necessidade de não perder corridas impede o rider de desconectar-se da plataforma, expondo-o a riscos — das altas temperaturas do verão passado, com picos até 47°C, ao ciclone Harry em janeiro — e comprometendo sua segurança.
Entre as reivindicações centrais da CGIL está o início de um processo de contratualização dos rider via aplicação do CCNL logistica, com reconhecimento dos direitos sindicais e proteções básicas: férias, licenças, baixa por doença, acidentes de trabalho remunerados, medidas de saúde e segurança. A pauta também inclui pedidos imediatos de aumento salarial e a extensão de benefícios tradicionais, como 13ª, 14ª e TFR.
Vale notar que Palermo já foi palco de um primeiro momento de mobilização extraordinária dos rider em conjunto com a CGIL, quando a cidade sediou uma manifestação que conectou a batalha por direitos trabalhistas à defesa de uma magistratura autônoma e independente. A demonstração de força local reforça a estratégia do sindicato de transformar litígios judiciais em alavancas políticas para reengenharia das relações de trabalho no setor.
Como economista e analista de políticas, observo que este movimento opera como uma calibragem necessária no "motor da economia" das plataformas: sem normas claras e proteção social, o setor de delivery mantém um desempenho instável e expõe riscos sistêmicos à força de trabalho. A mobilização da CGIL pretende instalar freios e reforçar o chassi institucional — políticas e contratos — que sustentem uma aceleração sustentável do setor.