La Russa elogia qualidade das cientistas e pede aumento de matrículas em STEM
La Russa elogia qualidade das mulheres cientistas e pede aumento de matrículas em STEM durante inauguração da mostra #100esperte no Senado.
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La Russa elogia qualidade das cientistas e pede aumento de matrículas em STEM
Em um gesto que mistura reconhecimento institucional e reflexão cultural, o presidente do Senado italiano, Ignazio La Russa, destacou em Roma a excelência das laureadas em STEM ao inaugurar a mostra fotográfica "Una vita da scienziata – I volti del progetto #100esperte", promovida pela Fundazione Bracco e instalada no histórico Corridoio dei Busti do Senado.
La Russa disse ter ouvido o "grito de dor" relacionado aos números — ainda baixos tanto em comparação com o equivalente masculino quanto com a média europeia — das mulheres que concluem cursos nas áreas científicas. Mas foi enfático ao distinguir quantidade e qualidade: "É verdade, precisamos incrementar os números, mas quanto à qualidade estamos bem. Na minha opinião, as mulheres cientistas são hoje até mais competentes que os homens, porque se empenham mais, são mais ecléticas e captam não só a essência da profissão, mas também a dimensão humana que está sempre ligada à capacidade de fazer bem o próprio trabalho".
O tom das declarações de La Russa tem algo de espelho do nosso tempo: celebra o talento feminino como parte de uma paisagem profissional que vem sendo reescrita, enquanto admite que o roteiro da inclusão ainda carece de cenas fundamentais — mais matrículas, políticas de incentivo e trajetórias visíveis. A exposição, que imprime rostos e trajetórias, funciona como um refrão visual dessa necessidade: dar corpo e rosto à presença feminina na ciência.
O presidente também fez questão de agradecer a quem tornou possível o projeto — "o fotógrafo, mas sobretudo a 'matéria-prima', as cientistas" — e cumprimentou Diana Bracco, cuja visão e apoio permitiram a realização da mostra. "Obrigado pelo que fazem, pelo que são e pelo que representam", afirmou, sublinhando o papel das iniciativas culturais em transformar dados frios em narrativas reconhecíveis.
Como analista cultural, vejo a mostra e as palavras de La Russa como cenas complementares: a exposição oferece o close necessário para humanizar estatísticas; a fala institucional, por sua vez, funciona como luz que tenta iluminar caminhos institucionais e simbólicos. Em termos de impacto social, reconhecer a qualidade é importante — mas é preciso traduzir esse elogio em políticas que aumentem a presença feminina nas áreas STEM, evitando que o reconhecimento se torne apenas um enquadramento fotográfico ou um aplauso isolado.
Essa combinação entre imagem e discurso reforça um ponto central: a ciência não é apenas técnica, é também narrativa e memória coletiva. E, como todo bom filme europeu, o cenário de transformação pede protagonismo e continuidade. A mostra da Fundação Bracco no Senado é um convite a olhar para além do enquadramento, para escrever outro capítulo — com mais mulheres, mais oportunidades e a justa visibilidade que lhes cabe.