Franco Battiato: 'Un'altra vita' no MAXXI atrai público e revela o arquivo de uma carreira multifacetada

Exposição 'Franco Battiato - Un'altra vita' no MAXXI revela acervo raro e atrai público até 26 de abril. Um mergulho na obra multifacetada do artista.

Franco Battiato: 'Un'altra vita' no MAXXI atrai público e revela o arquivo de uma carreira multifacetada

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Franco Battiato: 'Un'altra vita' no MAXXI atrai público e revela o arquivo de uma carreira multifacetada

Abre-se a exposição com um recorte de jornal de 1965 que soa como um prólogo bem-humorado e profético: «Nato a Ionia, no, a Riposto... a Catania il 23 marzo del 1945», lê‑se na legenda que apresenta um jovem de olhos castanhos e ambição desmedida. É esse início documental que introduz Franco Battiato no percurso de "Un'altra vita", a grande mostra dedicada ao compositor, cantor e pensador siciliano — um tributo a cinco anos da sua partida e um convite a ler a sua obra como um espelho do nosso tempo.

Coproduzida pelo MAXXI e pelo Ministério da Cultura, a exposição, curada por Giorgio Calcara com Grazia Cristina Battiato e organizada por C.O.R. (Creare Organizzare Realizzare) de Alessandro Nicosia em colaboração com a Fundação Franco Battiato ETS, está aberta desde 31 de janeiro e fica em cartaz até 26 de abril. Desde a abertura, as filas nas bilheterias testemunham o fascínio contínuo por um artista cuja trajetória desafia rótulos.

O percurso da mostra combina fotos, pinturas, capas de discos, cartazes históricos, fotografias e objetos pessoais — um acervo que restitui a poliedricidade de um criador capaz de atravessar mais de cinco décadas como inovador e precursor. Não se trata apenas de celebrar um cantor: Battiato é apresentado como músico, poeta, filósofo e intelectual, e a curadoria constrói uma experiência imersiva que transcende a cronologia musical para explorar as camadas da sua pesquisa estética e espiritual.

O fio narrativo parte da Lombardia dos anos 1960, quando o jovem siciliano desembarca em Milão em busca de oportunidades. Ali se estabelece uma amizade artística com Giorgio Gaber, e o encontro com a cena milanesa o leva a participar do programa "Diamoci del Tu", onde interpreta o primeiro single "La Torre" e assume o nome Franco. A partir daí, passa por fases que vão do canto romântico à ruptura: uma longa investigação sonora que desemboca na experimentação eletrônica e na vanguarda, com álbuns como "Fetus", "Pollution" e "Sulle corde di Aries", que o consolidam como um pioneiro na música experimental italiana.

O grande reconhecimento popular acontece nos anos 80, quando elementos exóticos, mitos antigos e referências ao Mediterrâneo e ao Oriente Médio entram com força na sua poética. A mostra explora essa fase com atenção, destacando marcos como "Patriot" (1980) e o álbum que o catapultou ao grande público, "La voce del padrone". Aqui a sua obra funciona como um roteiro oculto da sociedade: canções que parecem trivialidades à primeira escuta, mas que guardam camadas de diálogo com tradição, misticismo e crítica cultural.

«Un'altra vita» organiza memórias e materiais inéditos em um dispositivo expositivo que convida à contemplação e à reflexão. Ao percorrer salas de imagens e objetos, o visitante reconstrói uma biografia artística que é, ao mesmo tempo, uma história da música italiana contemporânea — o eco cultural de um tempo que se reinventa pela curiosidade e pela ousadia criativa.

Como analista cultural, vejo na mostra do MAXXI mais do que um inventário: é um reframe da realidade que nos permite entender por que a obra de Franco Battiato continua a ressoar. Entre rótulos e rupturas, permanece um artista cuja produção funciona como um espelho social, onde mito e modernidade se tocam. Para quem ainda não foi, há tempo até 26 de abril para mergulhar nesse arquivo sensorial — e sair com a sensação de ter assistido a um filme que conta, em capítulos fragmentados, a história de um instinto criativo que nunca se resignou.