No Corridoio dei Busti: a Fondazione Bracco ilumina as faces das cientistas italianas em Palazzo Madama
A Fondazione Bracco leva a exposição "Uma vida de cientista" a Palazzo Madama, celebrando as faces das cientistas italianas e a luta contra estereótipos.
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No Corridoio dei Busti: a Fondazione Bracco ilumina as faces das cientistas italianas em Palazzo Madama
Por Chiara Lombardi — Em um gesto que funciona como um espelho do nosso tempo, a Fondazione Bracco inaugurou, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a mostra fotográfica "Uma vida de cientista" — tradução do projeto italiano "Una vita da scienziata – I volti del progetto #100esperte" — no prestigiado Corridoio dei Busti de Palazzo Madama, sedimento simbólico e institucional do Senado italiano.
O desvelamento oficial contou com a presença do Presidente do Senado, Ignazio La Russa, e da deputada Marta Schifone, uma das promotoras da iniciativa. As palavras institucionais de abertura vieram, em nome da presidente da Fundação, Diana Bracco, por meio de mensagem lida por Gaela Bernini, Secretária-Geral da Fondazione Bracco. No comunicado, a presidente sublinhou que a disparidade de gênero no ambiente científico começa já entre os bancos escolares, quando muitas garotas escolhem carreiras com menos projeção no mercado do trabalho, e fez um apelo para derrubar estereótipos e incentivar meninas a seguirem formações nas áreas STEM.
O projeto faz parte da iniciativa mais ampla "100 donne contro gli stereotipi", lançada em 2016 com a intenção explícita de combater preconceitos e dar visibilidade a mulheres em setores estratégicos — da ciência à economia, da política internacional às instituições culturais. A galeria fotográfica, com cliques do fotógrafo Gerald Bruneau que traduzem rostos em narrativas, já passou por palcos internacionais: Washington, Praga, Nova York, Cidade do México, Israel e Brasil. Cada parada foi uma cena distinta de um roteiro mais amplo, onde a imagem se torna testemunho e ato político.
Em paralelo a essa moldura institucional, no Museo del Mare de Trieste estreou a exposição itinerante "Mind the Stem Gap - Together", fruto de uma colaboração entre o Politecnico di Milano, a Fondazione Politecnico di Milano e com apoio da Regione Lombardia. Produzida por 150 estudantes, a mostra de manifestos interpreta de forma eclética e provocadora o manifesto Mind the Stem Gap, convocando o público a refletir sobre as discriminações e as consequências sociais que moldam trajetórias profissionais e escolhas educativas.
A convergência entre as duas mostras — a fotográfica e a de manifestos estudantis — configura um tipo de "8 de março difuso": não um momento isolado, mas um palimpsesto de ações pedagógicas e simbólicas que procuram reescrever roteiros de exclusão. São exposições que se apresentam como um reframe da realidade, propondo ao observador não apenas a contemplação estética, mas um exame crítico das estruturas que definem oportunidades.
Ao colocar os retratos das cientistas italianas no coração do Parlamento, a Fondazione Bracco não só celebra trajetórias individuais como transforma o vestíbulo institucional em um cenário de transformação cultural. Que esta galeria inspire turistas, escolares e decisores políticos é o desejo anunciado pela própria organização — o convite é olhar além da imagem e reconhecer a semiótica do viral: o que um rosto pode projetar sobre o imaginário coletivo quando ganha o espaço público?
Uma versão reduzida da exposição fotográfica segue itinerante e está sendo exibida em outras sedes e iniciativas educativas, mantendo o fluxo da conversa pública sobre representação, ciência e igualdade. Em suma, a mostra funciona como uma chamada à ação e à memória: lembrança histórica e estímulo contemporâneo para que as próximas gerações de mulheres encontrem, nas ciências, não um obstáculo, mas um roteiro possível.