Bernini (Fondazione Bracco): campanha cultural para impulsionar o talento feminino nas disciplinas STEM

Fondazione Bracco lança campanha cultural para promover o talento feminino nas disciplinas STEM, a partir do projeto #100 esperte no Senato em Roma.

Bernini (Fondazione Bracco): campanha cultural para impulsionar o talento feminino nas disciplinas STEM

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Bernini (Fondazione Bracco): campanha cultural para impulsionar o talento feminino nas disciplinas STEM

Por Chiara Lombardi — Em um momento em que a ciência roteiriza o futuro e ao mesmo tempo espelha o presente, a Fondazione Bracco volta seus holofotes para uma lacuna que é, antes de tudo, cultural. Gaela Bernini, secretário geral da Fondazione Bracco, anunciou durante a inauguração da exposição 'Una vita da scienziata – I volti del progetto #100 esperte' no Senato em Roma que a fundação está trabalhando em uma campanha cultural voltada a promover o talento feminino nas disciplinas STEM.

Os números, segundo Bernini, são pouco confortáveis: as mulheres formadas em áreas STEM entre 24 e 35 anos representam apenas metade do número de homens — e esses homens já são menos numerosos que a média europeia. Em outras palavras, a Itália não apenas tem poucos jovens interessados em ciências, tecnologia, engenharia e matemática, como enfrenta um desequilíbrio de gênero que reduz o capital humano disponível para questões que não dizem respeito apenas ao futuro, mas ao agora. Como disse a própria Bernini: "sono temi su cui si gioca la partita non del futuro ma del presente" — a partida do presente que molda políticas, empregos e memórias coletivas.

O projeto #100 esperte, materializado na mostra 'Una vita da scienziata', funciona como uma galeria de rostos e trajetórias que se tornam contrapontos à narrativa dominante. Ao transformar histórias individuais em ícones visíveis, a iniciativa atua como um reframe: vai além das estatísticas e cria modelos aspiracionais, ressignificando o que significa ser cientista hoje. Essa exposição, realizada no coração institucional do país, o Senato, é uma declaração simbólica — um convite para que o Estado e a sociedade reconheçam a ciência como arena central da ação pública.

Mas por que uma campanha cultural? A resposta de Bernini é também uma leitura do zeitgeist. O problema não é apenas o pipeline educacional ou a ausência de políticas; é um roteiro oculto que descreve quem é a figura do cientista nas narrativas sociais, nos currículos e nas redes. A semiótica do viral e a economia da atenção favorecem estereótipos facilmente replicáveis. Mudar isso exige uma contra-narrativa: exposição, visibilidade, representatividade e ações que atinjam escolas, famílias e plataformas culturais.

Entre as possíveis frentes de atuação estão programas em parceria com universidades, atividades em museus de ciência, encontros com escolas secundárias e conteúdos multimídia que mostrem trajetórias diversas. A ênfase da Fondazione Bracco, segundo Bernini, está em transformar rostos em referências tangíveis — uma estratégia que dialoga tanto com políticas públicas quanto com iniciativas privadas e com o ecossistema educativo.

Como observadora do cenário cultural, enxergo essa mobilização como um pequeno deslocamento no mosaico social: não é apenas aumentar números, é redesenhar o espelho em que as próximas gerações se veem. Em uma era em que as disciplinas STEM definem centros de decisão e imaginários coletivos, promover o talento feminino é reescrever o roteiro do presente, abrindo caminhos para que a ciência seja plural, democrática e verdadeiramente representativa.

Ao final, a exposição 'Una vita da scienziata – I volti del progetto #100 esperte' funciona como um lembrete visual e político: talentos existem, histórias existem; falta, por vezes, o enquadramento público que as coloque no centro do palco. A campanha anunciada pela Fondazione Bracco quer justamente isso — tornar o invisível visível e a alternância de vozes uma nova norma cultural.