Bienal de Veneza 2026: Giuli pede demissão da representante do MIC após reabertura do pavilhão russo

Ministro Giuli pede renúncia de representante do MIC após reabertura do pavilhão russo na Bienal de Veneza; polêmica envolve UE e petição global.

Bienal de Veneza 2026: Giuli pede demissão da representante do MIC após reabertura do pavilhão russo

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Bienal de Veneza 2026: Giuli pede demissão da representante do MIC após reabertura do pavilhão russo

O ministro da Cultura italiano, Alessandro Giuli, solicitou oficialmente a renúncia de Tamara Gregoretti, representante do MIC no Conselho de Administração da Bienal de Veneza, alegando que o vínculo de confiança ficou comprometido. A nota do ministério afirma que Gregoretti, nomeada para o cargo em 13 de março de 2024, não teria comunicado a possibilidade da presença da Rússia na próxima edição da mostra nem informado que havia se manifestado favoravelmente à sua participação, apesar da delicadeza internacional do tema.

O pedido de Giuli ocorre em meio a uma onda de controvérsias que se intensificaram após 22 países da União Europeia terem enviado uma carta ao presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, condenando a participação russa e ameaçando a suspensão de fundos europeus destinados à Fundação. Paralelamente, uma petição no site change.org reuniu mais de 7.500 assinaturas de artistas, intelectuais, estudiosos e personalidades políticas que pedem a reconsideração do retorno do padiglione russo à 61ª Exposição Internacional de Arte, agendada de 9 de maio a 22 de novembro de 2026.

No apelo público, os signatários lembram que, em março de 2022, após a invasão em grande escala da Rússia à Ucrânia, a Bienal havia declarado que não colaboraria com delegações ou instituições oficiais vinculadas ao governo russo, uma posição então interpretada como um compromisso ético central de uma das mais importantes instituições culturais do planeta.

Em resposta imediata, Tamara Gregoretti afirmou manter-se serena e recusou-se a renunciar, sustentando que suas ações observam o Estatuto da Bienal de Veneza e a autonomia da instituição. Citou o Decreto Legislativo 19/98, artigo 7, parágrafo 2, para reforçar que os membros do Conselho de Administração não representam nem respondem diretamente àqueles que os nomearam, defendendo assim sua independência de julgamento.

O episódio mereceu também a reação das instituições europeias: a vice-presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, e o comissário para a Cultura, Glenn Micallef, publicaram uma nota conjunta em que condenam a decisão da Fundação Bienal de autorizar a reabertura do pavilhão nacional russo. Para a Comissão, a cultura deve promover valores democráticos, fomentar o diálogo e proteger a pluralidade e a liberdade de expressão, não servindo como plataforma para eventuais tentativas de propaganda.

Mais do que uma disputa administrativa, este capítulo da Bienal funciona como um verdadeiro espelho do nosso tempo: a mesa onde se cruzam ética cultural, diplomacia e memória histórica. A reabertura do pavilhão russo ressoa como um roteiro oculto da sociedade, forçando a pergunta sobre até que ponto as instituições culturais podem manter sua autonomia sem desconsiderar contextos geopolíticos traumáticos. É uma cena que transforma a exposição em arena de debate público, onde cada decisão institucional reflete um refrão da nossa consciência coletiva.

Enquanto os atores trocam notas formais e proclamam princípios, a tensão permanece: a Bienal pretende reafirmar sua autonomia artística; parceiros europeus ameaçam consequências financeiras; e vozes da sociedade civil pedem coerência moral. O desfecho desta trama terá impacto não só sobre a 61ª Exposição, mas sobre a reputação de Veneza como palco onde arte e responsabilidade se encontram, ou se desencontram.