Fevereiro 2026: por que o mês decisivo das TV mostra vitórias da Rai e a fuga do público ao streaming
Fevereiro 2026 mostra Rai em alta diária (+4,3%), queda noturna e avanço do streaming: onde os telespectadores migraram?
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Fevereiro 2026: por que o mês decisivo das TV mostra vitórias da Rai e a fuga do público ao streaming
Por Chiara Lombardi — Fevereiro confirma-se como o mês em que a televisão funciona como um espelho do nosso tempo: com o Festival de Sanremo, as Olimpíadas de Milão‑Cortina e um clima ainda invernal, os italianos permanecem mais ligados à tela — mas nem todos ao mesmo ecossistema televisivo.
Os dados elaborados por Sensemakers, em colaboração com Massimo Scaglioni, a partir das medições Auditel, mostram que o serviço público registra um crescimento médio no dia inteiro de +4,3% em relação a 2025, alcançando pouco menos de quatro milhões de espectadores médios nas 24h em total audience. Ainda assim, paradoxo curioso: na primeira serata a Rai praticamente perde terreno, com quase -1% em relação ao ano passado — mesmo tendo à mão o poder de atração de um palco como o de Sanremo.
No balanço global do mês, a plateia da primeira serata atingiu 19,9 milhões de espectadores, um recuo de cerca de um ponto percentual face a 2025. No agregado do dia, a média ficou em 8,5 milhões, com uma ligeira queda de -1,4%. Ou seja, o roteiro de audiência de fevereiro reescreve-se com pequenas nuances: mais engajamento diário para a radiotelevisão pública, mas menos concentração noturna.
Do outro lado, a televisão comercial — liderada pela Mediaset — mantém sinais de vigor no horário nobre, beneficiando‑se também do bom desempenho de formatos tradicionais. É o caso da versão italiana da Ruota della Fortuna, apresentada por Gerry Scotti, que assinala um crescimento de +6,8% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Mas a pergunta que interessa ao analista cultural é: onde foram parar os espectadores “faltantes”? A resposta encontra‑se num índice menos visível, o chamado «paniere» do ascolto não riconosciuto pela Auditel — que inclui serviços de streaming como a HBO Max — e que cresceu +4,4% face a fevereiro do ano anterior. Este universo soma hoje 1,9 milhão de espectadores médios no dia inteiro e 4,2 milhões no prime time.
Em termos simbólicos, é como se parte do público tivesse mudado de sala: não deixou de assistir, apenas trocou a moldura — migrando para plataformas conectadas, SmartTVs e serviços on demand. A televisão linear perde alguma centralidade, enquanto o ecossistema audiovisual se fragmenta e se reconfigura diante dos olhos do público.
Em suma, fevereiro de 2026 não é uma narrativa unívoca. É antes um reframe da realidade da audiência: a Rai recupera terreno no cômputo diário apoiada por megaeventos, a Mediaset resiste no prime time, e o universo do streaming consolida seu papel como alternativa estrutural. O que vemos na tela é, em última instância, o roteiro oculto das escolhas culturais de uma audiência em transição.
Dados: elaborazione Sensemakers su dati Auditel. Publicado em 08/03/2026.