Por que a mimosa virou o símbolo do 8 de março: a escolha das mulheres da Assembleia Constituinte
A história da escolha da mimosa no 8 de março: mulheres da Constituinte, especialmente Teresa Mattei, definiram o símbolo por acessibilidade e memória partisana.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Por que a mimosa virou o símbolo do 8 de março: a escolha das mulheres da Assembleia Constituinte
A mimosa é hoje identificada como o símbolo da festa da mulher no dia 8 de março. A origem dessa tradição, no entanto, tem raízes políticas e sociais claras: foi uma decisão proposital de mulheres que chegaram ao Parlamento no pós-guerra para reescrever a ordem institucional da Itália.
Foram as ex-partigianas Rita Montagnana, Teresa Mattei e Teresa Noce — eleitas em 2 de junho de 1946 para a Assembleia Constituinte — que transformaram a mimosa em um emblema de homenagem às mulheres. Essas parlamentares levaram para dentro da redação da Constituição — e para o debate público — a voz e as demandas femininas num contexto ainda profundamente patriarcal.
O critério apontado por Teresa Mattei para a escolha do flor foi simples e objetivo: a mimosa florescia nos primeiros dias de março, era abundante e acessível. Em um país ainda marcado pelas escassez e pela reconstrução após duas guerras mundiais, a opção por um símbolo popular e de baixo custo ganhou significado político. Mattei defendia que o gesto de presentear um ramo de mimosas poderia ser praticado por todas, sem distinção de renda ou classe.
Para reforçar a adoção do símbolo, Teresa Mattei recorreu a uma antiga lenda chinesa que colocava a mimosa como representação da sensibilidade e da unidade feminina — a ideia do conjunto de pequenos botões que formam um todo, sugerindo pertencimento e solidariedade. A narrativa ajudou a consolidar a flor não apenas como ornamento, mas como metáfora social e política.
O contexto de escolha também carrega memória de luta: durante sua militância partisana, Mattei sofreu violência e tortura. Ela recordou que a mimosa era frequentemente ofertada pelos partigiani às suas 'staffette' (as mensageiras e combatentes mulheres), um gesto que remetia às montanhas e às resistências. O caráter gratuito e a possibilidade de ser colhida em ramais tornam a mimosa um símbolo de resistência acessível e carregado de memória coletiva.
O que se estabelece, portanto, não é um costume espontâneo, mas uma decisão política e simbólica. A adoção da mimosa pelo 8 de março traduz uma combinação de fatores: a disponibilidade da planta no início de março, a necessidade de um símbolo democrático frente às dificuldades econômicas do pós-guerra, e a vontade explícita de representantes eleitas de marcar o calendário público com uma lembrança que traduzisse a presença feminina nas instituições.
Em termos jornalísticos, a história da mimosa merece ser lida como um exemplo de como símbolos cívicos nascem de escolhas concretas e de trajetórias pessoais: a conjugação entre experiência partisana, representação política e estratégia simbólica produz, no caso da festa da mulher, um ícone que persiste até hoje.