Médico de Reggio Emilia detido por esquema de consultas intramoenia em dinheiro não registradas

Médico de Reggio Emilia detido após receber 100€ em dinheiro por consulta intramoenia não registrada; investigação aponta 25 atendimentos não rastreados.

Médico de Reggio Emilia detido por esquema de consultas intramoenia em dinheiro não registradas

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Médico de Reggio Emilia detido por esquema de consultas intramoenia em dinheiro não registradas

Por Giulliano Martini — Os Carabinieri do NAS de Parma, sob coordenação da Procuradoria da República de Reggio Emilia, prenderam em flagrante um dirigente médico responsável por várias Strutture Complesse de hospitais da província, acusado de peculato e falsidade ideológica praticadas por um público oficial, em forma continuada.

O episódio ocorreu na tarde de segunda-feira, em dependência de um hospital público de Reggio Emilia. Segundo o relatório policial, a prisão em flagrante foi efetuada logo após o médico receber 100 euros em contantes de uma paciente como pagamento por uma prestação clínica. De acordo com a investigação, o valor teria sido retido indevidamente pelo profissional e não repassado à Azienda USL de Reggio Emilia.

A apuração, iniciada em setembro de 2025, concluiu em um marco probatório que descreve um suposto sistema organizado de prestações médicas privadas não registradas no âmbito da atividade de intramoenia. Embora o médico estivesse autorizado a exercer livre profissão intramuros, os investigadores apontam três condutas reiteradas: realizar consultas privadas sem inserir os atos no aplicativo informático da instituição; receber os honorários exclusivamente em dinheiro sem qualquer comunicação à Administração; e gerir diretamente pedidos de agendamento, contornando os canais institucionais previstos para a atividade.

Entre 11 de novembro de 2025 e 2 de março de 2026, as autoridades atribuíram ao dirigente pelo menos 25 prestações não rastreadas, com pacientes atendidos fora do sistema de marcação oficial e pagamentos em valores variáveis. O levantamento documental e operacional foi reforçado por interceptações telefônicas e gravações ambientais que, segundo os investigadores, corroboram a existência da prática e a sua continuidade.

Outra peça relevante da investigação aponta o uso, em algumas ocasiões, de medicamentos pertencentes à dotação do consultório hospitalar, os quais teriam sido administrados a pacientes atendidos em caráter privado. Esse aspecto agrava a tipificação pelo possível desvio de bens públicos para fins particulares — a linha investigativa central do crime de peculato.

Após as formalidades legais, o médico foi colocado em prisão domiciliar. O Juiz para as Investigações Preliminares (GIP) do Tribunal de Reggio Emilia convalidou a prisão, mas determinou a imediata remissão em liberdade do dirigente. O despacho judicial instituiu, contudo, medidas cautelares administrativas e profissionais: suspensão do exercício de cargo público por 12 meses; interdição por 12 meses de atuar como médico dirigente em estruturas sanitárias públicas da ASL; e proibição temporária, também por 12 meses, de exercer a atividade de libera professione intramoenia em qualquer estrutura pública.

O caso segue em fase de investigação, com diligências complementares previstas para aprofundar a extensão dos fatos, o número efetivo de pacientes envolvidos e a eventual responsabilização administrativa da estrutura hospitalar. A apuração in loco e o cruzamento de fontes continuam sendo a base para a consolidação do quadro probatório e para subsidiar eventuais ações civis ou disciplinares por parte da Azienda USL.

Trata-se de um episódio que coloca em foco a supervisão dos mecanismos de intramoenia em hospitais públicos, a fiscalização sobre a utilização de recursos e medicamentos públicos, e a necessidade de transparência nos fluxos de receita vinculados à atividade privada de profissionais em serviço público. A reportagem seguirá acompanhando o desdobramento das investigações e a posição da Procuradoria e da ASL de Reggio Emilia.