Klaus Davi é cercado e espancado por ultras da Curva Sul em Piazza Axum, em Milão
Jornalista Klaus Davi foi cercado e agredido por ultras da Curva Sud em Piazza Axum; ele registrou a cena e apresentará queixa.
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Klaus Davi é cercado e espancado por ultras da Curva Sul em Piazza Axum, em Milão
Milão — Uma equipe de cerca de dez membros das torcidas organizadas do Milan cercou, imobilizou e agrediu com chutes e socos o jornalista Klaus Davi na tarde de domingo, informou seu advogado, Eugenio Minniti. O ataque ocorreu em Piazza Axum, ponto habitual de encontro da torcida da Curva Sud, onde os ultras haviam marcado presença antes do clássico local.
Davi estava na praça para documentar a reunião, amplamente divulgada nas redes sociais das organizações ultras, que se encontravam também por ocasião da iniciativa promovida pelos City Angels, intitulada "Derby della solidarietà", destinada a angariar fundos para sem-teto antes do dérbi da noite.
Segundo o relato do advogado, os agressores tentaram subtrair o celular do repórter e forçá-lo a apagar as imagens gravadas durante o seu trabalho de apuração. Um dos ultras desferiu um soco que atingiu a região da têmpora de Davi; outros aplicaram chutes enquanto o cercavam e o mantinham imobilizado. Décadas de hábitos jornalísticos e rotina em situações adversas não impediram que o episódio fosse violento, mas permitiram que o jornalista mantivesse a calma e registrasse a cena com um segundo aparelho.
Dezenas de pessoas presenciaram a agressão sem intervir, acompanharam a cena e dispersaram após o incidente. Não há indícios, até o momento, de prisões imediatas no local. Davi não sofreu ferimentos graves, porém encontra-se sob observação médica e cardiológica.
Nas últimas duas temporadas, Klaus Davi conduziu uma investigação sobre supostas infiltrações da criminalidade organizada nas torcidas de Milan e Inter. Parte desse trabalho incluiu a documentação de encontros de ultras, exibidos também em reportagens da emissora pública, e o registro de uma reunião com Berto Bellocco, irmão de Antonio Bellocco, ocorrida em San Ferdinando, Calábria, em maio de 2025.
"Milão não é Teerã, não podem existir zonas de exclusão onde a 'segurança' é delegada aos ultras", declarou Eugenio Minniti. O advogado informou que Davi foi ouvido como pessoa informada dos fatos pela equipe móvel de Milão em dezembro de 2024 e deverá prestar depoimento à Direção Investigativa Antimáfia em sequência, em razão das mesmas investigações sobre as curvas.
O jornalista pretende apresentar nas próximas horas uma denúncia-crime contra desconhecidos. A intenção, segundo seu representante, é não recuar no trabalho investigativo: "Ele continuará suas apurações como sempre fez, sem retroceder desde o dia do homicídio de Antonio Bellocco".
O caso reforça o raio-x das tensões entre ambiente futebolístico e atividades investigativas jornalísticas em Milão, onde a linha entre manifestações esportivas e potenciais zonas de influência de grupos organizados continua sendo objeto de apuração. As autoridades competentes foram informadas e seguem com o cruzamento de fontes e diligências pertinentes.