Desigualdades na saúde desafiam a universalidade: católicos promovem debate em Roma
Mesa redonda em Roma discute desigualdades no sistema de saúde e a defesa da universalidade dos cuidados, reunindo especialistas e representantes católicos.
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Desigualdades na saúde desafiam a universalidade: católicos promovem debate em Roma
Em Roma, na sexta-feira 13 de março, a Associazione Politica e società nell'impegno dei cattolici promoveu uma mesa redonda com foco nas fragilidades do sistema sanitário e na defesa da universalidade das cuidados. O encontro, convocado para analisar como as desigualdades afetam o acesso às terapias e serviços, ocorreu no Hotel Ripa (via degli Orti di Trastevere, 3), das 16h30 às 19h00.
O evento, moderado pelo jornalista Francesco Maggi, da Espresso Italia Salute, abriu com saudações institucionais de Antonello Aurigemma, presidente do Conselho Regional do Lácio. Em seguida, desenvolveu-se um debate técnico-científico com especialistas de diferentes áreas da saúde, com o objetivo declarado de apontar caminhos concretos para reforçar a equidade e a universalidade do sistema.
Participaram do painel:
- Giuseppe Nicolò, diretor do Departamento de Saúde Mental e das Dependências Patológicas da ASL Roma 5;
- Raffaella Bucciardini, diretora do Centro Nacional para a Saúde Global do Istituto Superiore di Sanità (ISS);
- Evaristo Ettorre, professor associado de Geriatria e Medicina Interna na Sapienza Università di Roma;
- Americo Cicchetti, professor titular de Organização Empresarial na Università Cattolica del Sacro Cuore.
O presidente da associação promotora, Vincenzo Maria Saraceni, afirmou que "este encontro quer ser um espaço de reflexão e de proposta para recolocar a pessoa e sua dignidade no centro, orientando as políticas públicas para um sistema de cuidados realmente acessível a todos". A declaração sublinha a rejeição à ideia de que o direito à saúde deva depender de condições econômicas ou sociais.
Na apuração in loco, os debatedores confrontaram dados e experiências práticas em áreas que variam da saúde mental à saúde global, da geriatria à organização dos serviços. O diagnóstico apresentado apontou para a intensificação de desigualdade em saúde em vários níveis: acesso a tratamentos, variabilidade regional de serviços e a maior vulnerabilidade de grupos socioeconômicos fragilizados.
O painel teve caráter técnico e propositivo: especialistas propuseram instrumentos de governança, integração entre níveis assistenciais e políticas voltadas à prevenção e à atenção primária com o propósito explícito de reequilibrar a oferta e proteger os mais frágeis. Entre os temas levantados estiveram a necessidade de indicadores de vigilância mais sensíveis às desigualdades e a revisão de modelos organizacionais que favoreçam a continuidade do cuidado.
Em linguagem direta e com cruzamento de fontes, a mesa redonda buscou transformar constatações em propostas factíveis. A iniciativa foi apresentada como oportunidade de convergência entre a perspectiva ética dos atores católicos engajados na sociedade e o conhecimento técnico-científico disponível, com vistas a salvaguardar a universalidade das cuidados como princípio estruturante do sistema.
O evento reafirmou a centralidade da pessoa e da dignidade humana na formulação de políticas públicas de saúde e sinalizou a necessidade urgente de medidas para mitigar as desigualdades que ameaçam o acesso equitativo aos serviços.