Copernicus: fevereiro de 2026 foi o quinto mês mais quente já registrado com chuvas extremas e inundações na Europa
Copernicus: fevereiro de 2026 foi o 5º mais quente; extremas chuvas e inundações atingiram a Europa ocidental. Dados: +1,49°C vs era pré-industrial.
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Copernicus: fevereiro de 2026 foi o quinto mês mais quente já registrado com chuvas extremas e inundações na Europa
Por Alessandro Vittorio Romano — Uma nova página do clima se abre como um céu pesado depois da tempestade: os dados do observatório climático da União Europeia, o Copernicus, mostram que fevereiro de 2026 foi o quinto mais quente de sempre. O relatório, divulgado e repercutido pela AFP, confirma uma combinação de calor global acima da média e eventos extremos de chuva que deixaram marcas profundas especialmente na Europa ocidental.
Segundo o serviço europeu, a temperatura média global de fevereiro ficou em impressionantes 1,49°C acima da era pré-industrial (referência 1850-1900) — um número que soa como o termômetro de uma estação que anda fora do compasso. Esse aquecimento não foi uniforme: enquanto partes do globo, como os Estados Unidos, o nordeste do Canadá, o Médio Oriente, a Ásia Central e a Antártica oriental tiveram temperaturas superiores à média, a Europa exibiu contrastes marcantes.
Na média dos países da União Europeia, o mês foi um pouco mais frio do que o habitual, com temperatura média de -0,07 °C entre as menores dos últimos 14 anos. Porém, num mapa que lembra uma aquarela de extremos, a Europa ocidental, meridional e sudeste europeu registraram temperaturas acima da média, e várias áreas sofreram com chuvas intensas e inundações repentinas. A chuva, quando chega assim, modifica não só a paisagem mas o tempo interno das cidades: ruas se tornam rios, raízes do bem-estar são abaladas e rotinas são interrompidas.
Em contrapartida, regiões do noroeste da Rússia, os Países Bálticos, a Finlândia e países vizinhos da Escandinávia viveram um pulso de frio. O relatório destaca também um contraste claro entre zonas mais úmidas e mais secas: a maior parte do sul e oeste europeu esteve mais úmida que a média, enquanto o restante do continente apresentou condições mais secas.
Como observador que liga o estado do tempo ao estado do corpo e da cidade, vejo nesses números a respiração desigual do nosso planeta. Um inverno que guarda partes frias e, ao mesmo tempo, libera tempestades em outras regiões lembra a colheita de hábitos climáticos que fizemos ao longo de décadas — um legado moldado pelos combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra.
Os dados do Copernicus reforçam a necessidade de olhar para o clima com sensibilidade prática: medidas de preparação urbana, planejamento de enchentes, proteção de comunidades vulneráveis e uma escuta mais atenta entre as estações. Porque, quando a natureza fala, é preciso responder com projetos que respeitem seus ciclos, cuidem da respiração da cidade e protejam as raízes do bem-estar coletivo.
Fontes: Copernicus Climate Change Service; AFP.