Stefano De Martino: “Comecei a estudar para o Sanremo — já estamos pedalando”

De Martino agradece a Carlo Conti, inicia pesquisa histórica sobre os 76 anos de Sanremo e afirma que 'estamos pedalando' rumo a uma nova página.

Stefano De Martino: “Comecei a estudar para o Sanremo — já estamos pedalando”

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Stefano De Martino: “Comecei a estudar para o Sanremo — já estamos pedalando”

Por Chiara Lombardi — Em uma fala que mistura emoção e método, Stefano De Martino assumiu diante do Tg1 a responsabilidade e o entusiasmo de ser o diretor artístico e apresentador da próxima edição do Sanremo. A nomeação, anunciada na última noite do festival por Carlo Conti, teve um impacto que o próprio De Martino descreveu como inesperado: ao entrar no Ariston, ‘o afeto daquele teatro me surpreendeu’. Agradeceu publicamente à Rai e, especialmente, a Carlo Conti — um gesto que, segundo ele, ficará para sempre como lembrança afetuosa do profissional e da pessoa que Conti é.

Ao ser questionado pela apresentadora do telejornal, Giorgia Cardinaletti, Stefano De Martino foi econômico nas palavras, mas preciso na imagem: “estamos pedalando”. É uma metáfora que ela, como eu, reconhece como própria do processo criativo — o início que exige ritmo, resistência e visão para seguir adiante. Ele descreveu esta fase inicial como a mais fascinante: a de estudo. “Comprei todas as enciclopédias publicadas nos últimos anos sobre o Festival de Sanremo e é fascinante porque nesses 76 anos há um verdadeiro retrato da Itália”, disse.

Há aqui um ponto que me interessa enquanto analista cultural: o Sanremo não é apenas um programa de música; é um espelho do nosso tempo, um arquivo de transformações sociais, estéticas e políticas. Para escrever “uma nova página” — nas palavras do próprio De Martino — é preciso conhecer as anteriores. Ele reafirma isso com clareza: as leituras históricas possibilitam múltiplas interpretações das mudanças sofridas pelo festival e, consequentemente, pela própria sociedade italiana.

“É uma bela responsabilidade que assumo com entusiasmo e muita energia”, acrescentou o apresentador. A dimensão organizacional é mencionada com pragmatismo: esta é a fase onde se “prepara o terreno” e onde as primeiras decisões são tomadas, sobretudo sobre aspectos que demandam maior tempo de gestação. Daí a insistência na pedalada coletiva — não é um esforço solitário, mas um movimento de equipe.

O gesto de Carlo Conti, que o convidou e o acompanhou durante a transmissão, funciona como um gesto simbólico e profissional. Em termos semióticos, é uma passagem de bastão que carrega expectativas e memórias. De Martino, por sua vez, responde com leitura e estudo: uma combinação de reverência ao arquivo e vontade de reinventar.

Para quem acompanha o festival como um roteiro oculto da sociedade italiana, a escolha de De Martino representa tanto continuidade quanto possibilidade de reframe. Resta-nos observar como essa fase de pesquisa se transformará em escolhas estéticas e de programação, e como o palco do Ariston voltará a refletir — ou desafiar — o panorama cultural contemporâneo.

Publicado em 2026-03-02.