Sanremo 2026: Blind, El Ma e Soniko e o 'tormentone' que quer conquistar o Ariston

Trio revela coreografia e a 'regra dos quatro segundos' para transformar 'Nei miei DM' no hit de Sanremo 2026. Leia a análise.

Sanremo 2026: Blind, El Ma e Soniko e o 'tormentone' que quer conquistar o Ariston

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Sanremo 2026: Blind, El Ma e Soniko e o 'tormentone' que quer conquistar o Ariston

Por Chiara Lombardi — No mosaico sempre mutante das Nuove Proposte de Sanremo 2026, surge um trio com postura decidida e uma ambição clara: transformar uma canção em refrão coletivo. Blind, El Ma e Soniko chegam do circuito Area Sanremo com Nei miei DM, uma faixa que quer ser mais do que um instante de diversão — quer ser o espelho sonoro de um tempo socialmente conectado.

«Estamos num tornado. Trabalhamos muito e, acima de tudo, estamos vivendo isso de forma boa», conta Blind — nome artístico de Franco Rujan — à imprensa. A preparação, dizem, não é só vocal; é cénica. «Vi um pequeno spoiler: estamos a preparar uma coreografia», revela o artista, deixando claro que a estratégia é conquistar o palco do Ariston com um espetáculo pensado para virar hit.

Há, inclusive, um ritual prático para conter a ansiedade: a tal «regra dos quatro segundos», um artifício de palco que ajuda a domar o nervosismo antes de entrar em cena — técnica que, em linguagem performática, é quase um plano de filmagem para o momento exato da atuação.

O projeto nasceu como um encontro de trajetórias e identidades. A mente do som é Soniko, DJ e produtor nascido em 2001, que descreve a criação como uma folgorazione: «Veio como uma lâmpada que acendeu um ano atrás», explica. A inspiração — e um empurrão estético — veio ao ouvir o panorama de Sanremo, com referências que incluíram a provocação estilística de nomes como Achille Lauro.

Do sonho à prática: no verão foi proposta a colaboração com Blind, e o trio percebeu que a canção ganharia mais camadas com uma voz feminina. A escolha recaiu sobre El Ma — artista nascida Elmira Marinova, de origem búlgara — que aporta um fôlego internacional e uma pronúncia do italiano que, segundo Soniko, gera um efeito interessante dentro da narrativa musical. El Ma, nascida em 2007 e também oriunda de um talent show (edição Sky 2024), descreve a experiência como um contínuo estudo: «Tenho muito a aprender, mas aprendi que até nas faixas mais alegres a transmissão de energia positiva é o trabalho do artista».

O encaixe do trio é quase cinematográfico — Blind, com maior reconhecimento público após X Factor 2020 e participações televisivas como L'Isola dei Famosi, assume a alma urbana; El Ma traz a sutileza internacional; e Soniko orquestra o som. Juntos, prometem uma proposta que desafia a etiqueta de «canção leve» ou «muito social»: «Somos diferentes», afirma Blind, rejeitando rótulos simplistas.

Num festival onde competem a balada emotiva de Angelica Bove, o cantautorato refinado de Nicolò Filippucci e a poesia indie de Mazzariello, Nei miei DM se apresenta como candidata a se enraizar na memória coletiva — o tão cobiçado tormentone. A aposta é evidente: coreografia, identidade visual e um refrão pensado para ecoar nas redes e no salão do Teatro Ariston.

Como observadora do zeitgeist, vejo neste trio um pequeno estudo sobre como a música contemporânea reconfigura narrativas — uma coreografia que espelha nossas conexões digitais e, ao mesmo tempo, reescreve a relação com o palco. Se transformar-se em hit dependerá tanto da espontaneidade do público quanto do roteiro que o próprio trio insistirá em contar no palco — uma encenação precisa, mas com alma.