A Academy anunciou hoje as indicações ao Oscar 2026, cujos vencedores serão revelados na noite entre domingo, 15 de março, e segunda-feira, 16 de março. Em transmissão do Samuel Goldwyn Theater, os atores Danielle Brooks e Lewis Pullman entregaram a lista que reconfigura expectativas e hierarquias do cinema contemporâneo.
O grande destaque é o horror político “Sinners – I peccatori”, dirigido por Ryan Coogler e protagonizado por Michael B. Jordan, que obteve um número recorde de indicações: 16 ao todo. É um momento sintomático: um filme de horror político que domina a corrida para o Oscar traduz o cinema enquanto espelho do nosso tempo, onde gêneros outrora marginais assumem o protagonismo do debate cultural.
O recorde anterior, partilhado entre obras como “La La Land”, “Titanic” e “Eva contra Eva”, era de 14 indicações. Agora, com 16, “Sinners” redesenha o mapa das preferências acadêmicas e sugere um reframe sobre o que entendemos por filme ‘grande’ — não apenas pela escala, mas pelo impacto político e simbólico.
Na cola de Coogler está Paul Thomas Anderson, cujo filme “Uma batalha depois da outra” (título literal da edição original das indicações) alcançou 13 indicações. Entre elas, a presença de Leonardo DiCaprio como indicado a Melhor Ator e de nomes como Sean Penn e Benicio del Toro em categorias de atuação demonstra o peso do cinema de autor aliado ao carisma das estrelas.
Outras produções que despontaram foram o filme norueguês “Sentimental Value”, dirigido por Joachim Trier, “Frankenstein” de Guillermo del Toro e “Marty Supreme”, protagonizado por Timothée Chalamet. Cada um desses títulos conquistou nove indicações, evidenciando tanto o retorno das narrativas clássicas — como a reinterpretação do mito de Frankenstein — quanto a força crescente do cinema europeu e autoral na economia dos prêmios.
O panorama desenhado por essas nomeações ensina que o Oscar continua sendo um palco onde se lê o roteiro oculto da sociedade: questões identitárias, memória histórica e disputas políticas emergem nas escolhas da Academia. A liderança de um filme de horror político sugere que o gênero, quando alinhado a um discurso social contundente, pode se tornar a lente principal para entender sensibilidades coletivas.
Também é inevitável notar o duelo simbólico entre gerações de estrelas: de um lado, a presença consolidada de Leonardo DiCaprio; do outro, o ímpeto jovem e quase simbólico de Timothée Chalamet. É o encontro entre tradição e renovação encenado no palco das indicações, um eco cultural que reverbera para além da estatueta.






















