Universidade de Gênova inaugura as salas da desconexão para cuidar do bem‑estar estudantil

Universidade de Gênova inaugura salas da desconexão: espaços silenciosos para alunos combaterem o stress e a hiperconexão e cuidarem do bem‑estar.

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Universidade de Gênova inaugura as salas da desconexão para cuidar do bem‑estar estudantil

Na Universidade de Gênova nasceu um refúgio pensado para suavizar o ritmo acelerado da vida académica: as salas da desconexão. Estes novos espaços são convites à pausa, projetados para que estudantes encontrem silêncio, luzes quentes e materiais naturais que lembram um abraço da paisagem, longe do zumbido constante dos aparelhos digitais.

Entrar numa dessas salas é como atravessar uma porta que reduz o volume do mundo exterior: prateleiras com livros, instrumentos para meditação e áreas de descanso para quem prefere simplesmente respirar. Telefone, tablet e computador ficam de fora. O objetivo é oferecer um tempo para se reconectar com o próprio tempo interno, com calma e presença.

Segundo a reitoria da Unige, trata‑se de “uma intervenção concreta para responder ao crescente pedido de combater o sobrecarregamento, o stress e a hiperconexão na vida académica contemporânea”. O projeto foi lançado no âmbito do Plano das Ações Positivas 2022‑2024, cuja ambição inclui promover o bem‑estar, igualdade de oportunidades e um ambiente acolhedor para toda a comunidade universitária.

As salas foram implementadas igualmente com o apoio do projeto Prisma, que significa Promover Recursos Individuais e Sociais no Mundo Acadêmico. Prisma integra uma iniciativa nacional que envolve oito universidades italianas e pretende fortalecer a saúde psicológica dos estudantes através de pesquisa, formação, ampliação do serviço de aconselhamento e ações de sensibilização sobre a saúde mental e a inclusão.

O impulso a iniciativas assim intensifica‑se diante de sinais preocupantes que chegam das gerações mais jovens. O Observatório Científico sobre Educação Digital, promovido pelo Social Warning - Movimento Etico Digitale, ouviu mais de 20 mil alunos entre 11 e 18 anos e apontou que 77,5% dos entrevistados se dizem dependentes de dispositivos digitais — número que subiu quase cinco pontos percentuais em relação a 2024. Do total, 41,8% relatam uma dependência moderada, 33,3% uma dependência leve e uma parcela menor descreve uma situação grave. Apenas 22,5% afirmam não se sentir dependentes.

Em linguagem simples, estas estatísticas são o chamado da paisagem para que se criem lugares de repouso mental e social. As salas da desconexão da Universidade de Gênova surgem como uma resposta prática e poética: um pequeno bosque interior onde a cidade respira mais devagar e o estudante pode recolher as raízes do próprio bem‑estar.

Para quem vive o quotidiano académico, é um lembrete de que o cuidado não é apenas um serviço, mas uma colheita de hábitos — pausas intencionais que nutrem a concentração, a saúde emocional e a capacidade de aprender. E, numa tradução sensível, é também um convite para olhar para os ciclos da própria vida: desconectar para melhor reconectar com o que importa.