Granoro alerta: «Tarifas de guerra» disparam custos de exportação e pressionam preço da pasta
Granoro alerta que 'tarifas de guerra' após conflito no Irã elevam custos de transporte, pressionando preços da pasta e reconfigurando rotas comerciais.
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Granoro alerta: «Tarifas de guerra» disparam custos de exportação e pressionam preço da pasta
Por Marco Severini – Em um movimento que redesenha, silenciosamente, linhas de comércio no tabuleiro global, a indústria italiana da massa enfrenta um choque direto nos custos logísticos. Segundo Marina Mastromauro, administradora‑delegada do pastifício Granoro, o recente conflito no Irã fez emergir as chamadas tarifas de guerra, aplicadas por armadores que optaram por circunavegar o continente africano em vez de transitar pelo Canal de Suez e pelo Estreito de Ormuz.
O impacto é imediato e mensurável: um frete até Sydney que anteriormente custava cerca de €2.000 passou a valer entre €4.500 e €5.000. Para um produto de baixo valor agregado como a pasta, essa escalada logrança-se sobre o preço final ao consumidor e corrói margens de empresas familiares que sustentam cadeias produtivas regionais.
Com base em Corato e com 120 funcionários, o grupo Granoro — ativo desde 1967 — já exporta para 180 países, incluindo Japão, África do Sul, Brasil, Alemanha, França e Seychelles. Mastromauro descreve com precisão diplomática o estado atual: nem todos os armadores aceitam o periplo pela África, tornando a disponibilidade de espaço e de rotas um fator estratégico e volátil.
Além do desvio de rotas, há gargalos em polos logísticos que funcionavam como alicerces do comércio: o porto de Dubai, crucial para reembarques e distribuição no Golfo, sofre interrupções operacionais; no Líbano, as escalas estão sendo evitadas por navios devido aos confrontos com Israel. Um cliente na Síria chegou a solicitar a devolução de um contêiner diante das incertezas de trânsito terrestre desde o Golfo.
Até pouco tempo, a principal inquietação dos exportadores era a guerra comercial — sobretudo as ameaças tarifárias vindas dos Estados Unidos. Mastromauro lembra que, embora se cogitasse um aumento de 30–40% em tarifas, o impacto materializou‑se em patamares médios de 15%, incidindo de forma mais ampla sobre produtos e mercados, mas não sobre o custo do transporte marítimo da mesma forma que a atual crise militar.
Do ponto de vista estratégico, trata‑se de um movimento tectônico: a segurança das rotas marítimas desloca linhas de custo e influência. Para empresas como a Granoro, a alternativa é buscar operadores que ainda realizem a volta pela África ou reconfigurar redes de distribuição e estoques — decisões que lembram um lance de xadrez em que cada peça deslocada altera a dinâmica do tabuleiro inteiro.
Mastromauro encerra com um apelo que tem o tom de um diplomata: a esperança de retorno à "arte da diplomacia" que marcou as últimas décadas do século XX. Evoca, também, o legado de seu pai, representante de uma geração que emergiu após a Segunda Guerra Mundial e contribuiu para o milagre econômico italiano. Essa memória histórica sublinha o contraste entre os alicerces culturais e a resiliência exigida hoje para manter mercados e cadeias intactas.
Em suma, a conjunção entre conflito geopolítico e logística internacional impõe uma nova arquitetura de decisões empresariais: escolhas sobre rotas, parceiros e estoques que poderão reconfigurar, de modo duradouro, a competitividade da pasta italiana no mundo.