Petróleo segue acima de US$100 enquanto tensão no Estreito de Hormuz mantém mercados em alerta

Petróleo mantém-se acima de US$100; tensão no Estreito de Hormuz e ações de estoques explicam alta e volatilidade global.

Petróleo segue acima de US$100 enquanto tensão no Estreito de Hormuz mantém mercados em alerta

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Petróleo segue acima de US$100 enquanto tensão no Estreito de Hormuz mantém mercados em alerta

Por Stella Ferrari — O petróleo segue firme acima da faixa dos US$100 por barril, encaminhando-se para encerrar a semana com fortes ganhos à medida que os mercados precificam o risco de uma crise prolongada no Oriente Médio e novas interrupções no fornecimento energético. O Brent ultrapassou a barreira dos US$101 por barril, acumulando uma alta semanal próxima de 9%, enquanto o WTI voltou a rondar os US$97, projetando um ganho semanal em torno de 7%.

A principal força por trás desse movimento é a escalada de tensão no Estreito de Hormuz, artéria logística por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás mundial. Em suas primeiras declarações públicas desde que assumiu a liderança do país, Mojtaba Khamenei afirmou que a alternativa de fechamento do estreito "deve ser usada", mencionando também a possibilidade de abrir novos frontes contra os Estados Unidos e Israel caso o conflito se mantenha. Esse tipo de retórica funciona como um sistema de freios na liquidez global — reduz a confiança na continuidade do fluxo de oferta e aumenta o prêmio de risco embutido nos preços.

No esforço para conter a volatilidade, Washington autorizou uma licença temporária de 30 dias que permite a compra de petróleo e derivados russos já carregados e parados em alto-mar, buscando aliviar pressões imediatas sobre os mercados. A medida soma-se ao desembolso de 172 milhões de barris da Reserva Estratégica dos EUA, parte de um plano coordenado com a Agência Internacional de Energia (AIE), que anunciou um lançamento recorde de 400 milhões de barris de reservas estratégicas.

Analistas, porém, destacam que essas ações têm efeito paliativo. Em palavras de Emril Jamil, analista sênior da LSEG, o Brent permanece sustentado acima de US$100 mesmo após a licença e o liberação de estoques porque se tratam de soluções de curto prazo que não solucionam o cerne da restrição de oferta provocada pela ameaça sobre Hormuz. Relatórios da Haitong Futures convergem para a mesma visão: a medida americana apenas mitiga parcialmente as preocupações imediatas.

Enquanto isso, a escalada de ataques na região manteve-se intensa: instalações energéticas no Golfo foram atingidas, navios atacados próximo ao Iraque, tanques de combustível em Bahrein afetados e drones lançados contra campos petrolíferos na Arábia Saudita. Fontes iraquianas relataram que duas petroleiras em águas do país teriam sido atingidas por embarcações iranianas carregadas com explosivos, o que motivou a paralisação das operações nos portos petrolíferos iraquianos.

O alívio nos preços foi, portanto, efêmero. Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o Brent subiu cerca de 40%. O choque de oferta reverbera também nos mercados de ações, com sessões marcadas por vendas, sobretudo nos mercados asiáticos mais expostos à dependência de importações energéticas — Tóquio, Hong Kong, Xangai, Singapura, Seul, Mumbai, Bangkok, Wellington, Manila e Jacarta fecharam em baixa.

Em contraponto, o dólar mantém sua força frente às principais moedas, sustentado pelo status de ativo de refúgio, pelos temores inflacionários e pela expectativa de que os juros permaneçam altos por mais tempo. Em termos de motor da economia global, estamos vendo uma calibragem delicada: medidas de curto prazo para estabilizar oferta, mas sem solução estrutural que permita a aceleração segura do ciclo de investimento energético.

Em suma, o mercado de energia opera hoje com alta volatilidade — uma combinação de freios fiscais geopolíticos e aceleração de tendências de prêmio de risco — que exige estratégia e vigilância por parte de investidores e tomadores de decisão.