Pikappa faz 30 anos: Alessandro Sisti relembra a reinvenção do herói de Pato Donald

Pikappa completa 30 anos: Alessandro Sisti relembra a reinvenção do herói, o prequel 'Meno uno all’alba' e a profecia da IA Uno.

Pikappa faz 30 anos: Alessandro Sisti relembra a reinvenção do herói de Pato Donald

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Pikappa faz 30 anos: Alessandro Sisti relembra a reinvenção do herói de Pato Donald

Há exatos trinta anos um reframe no universo Disney italiano transformou o alter ego de Pato Donald em algo mais do que uma vingança cômica: nasceu Pikappa, a versão renovada de Paperinik que se tornou espelho de uma geração. A mudança, iniciada com o projeto editorial de Ezio Sisto e Max Monteduro, teve um marco histórico em 14 de março de 1996, quando foi às bancas o primeiro dos três números zero da nova série PKNA - Paperinik New Adventures.

Quem assinou os roteiros daqueles três números inaugurais foi o roteirista Alessandro Sisti (com argumento dele e de Ezio Sisto). Em entrevista, Sisti disse que o objetivo não era apenas atualizar um personagem clássico, mas fazê-lo crescer em complexidade. Ao buscar um público mais adulto do que o leitor tradicional de Topolino, a equipe queria responder a uma sensação comum entre jovens leitores: ao entrarem na adolescência, muitos se sentiam “grandes demais” para o semanal e se afastavam das histórias do universo Disney.

Enquanto o antigo Paperinik enfrentava trapaceiros locais em Paperopoli, o Pikappa dos anos 90 trouxe ameaças cósmicas, armas tecnológicas e uma base secreta que lembrava o universo de Iron Man ou Batman. A série navegou por temas mais densos — invasão alienígena, noções de espaço-tempo e até a reflexão sobre a morte — sem perder a essência do entretenimento, mostrando que, nas camadas do quadrinho juvenil, havia espaço para preocupações existenciais.

Para marcar o trigésimo aniversário, saíram uma nova história publicada em Topolino (número 3668, com capa dedicada ao herói) e o álbum Meno uno all’alba, lançado pela Panini Comics no formato comic book que remete ao icônico número 0. O volume funciona como prequel da série original PKNA e narra a gênese da invasão dos Evroniani, o primeiro encontro com Pikappa e os acontecimentos que levaram ao achatamento de Tio Patinhas — o investimento na Ducklair Tower que viraria a base do herói.

Os desenhos ficam por conta de Claudio Sciarrone, enquanto a nova roteirização retorna às mãos de Alessandro Sisti. Na sua leitura, Sisti tentou recriar a voz daquela época com a bagagem de três décadas de vida profissional: “Fiz o meu melhor para escrever estas histórias novas como eu teria feito se me tivessem pedido há 30 anos”, afirmou. Esse gesto é, na verdade, um exercício de memória autoral — um recovery memorial que une jovem impulso criativo e maturidade.

Outro elemento que revela o caráter profético da série é o aliado digital do herói: Uno, a inteligência artificial que comanda secretamente a Ducklair Tower. Em 1996, parecia ficção; hoje soa como um eco cultural do nosso presente tecnológico, uma semiótica que antecipou preocupações contemporâneas sobre vigilância, autonomia e laços homem-máquina.

Trinta anos depois, Pikappa não é apenas nostalgia: é um roteiro oculto do nosso tempo, um espelho onde se percebem as transformações do entretenimento e da sensibilidade coletiva. Revisitá-lo é entender como o quadrinho juvenil soube abrir portas para o público que cresceu sem abandonar a vontade de ser tocado por histórias que desafiam e emocionam.