Desertificação comercial na Itália: 156 mil lojas desaparecem entre 2012 e 2025

Relatório da Confcommercio mostra perda de 156 mil lojas na Itália (2012-2025), avanço do e-commerce e boom de serviços turísticos nos centros históricos.

Desertificação comercial na Itália: 156 mil lojas desaparecem entre 2012 e 2025

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Desertificação comercial na Itália: 156 mil lojas desaparecem entre 2012 e 2025

Relatório recente desenha um quadro claro e preocupante da transformação das cidades italianas: entre 2012 e 2025 o país perdeu mais de 156 mil pontos de venda ao varejo, o que equivale a aproximadamente um quarto do total nacional. A conclusão consta do report "Città e demografia d’impresa" da Confcommercio, cuja análise cruzou dados setoriais, territoriais e temporais para quantificar a erosão do comércio de proximidade.

Segundo o estudo, a crise atinge com particular intensidade áreas do Norte, com quedas que superam os 30% em localidades como Agrigento, Ancona e Belluno, enquanto o Mezzogiorno demonstra maior resistência relativa. Entre os setores mais afetados estão as atividades tradicionais: bancas de jornal sofreram um declínio de 51,9% e lojas de vestuário registraram retração de 36,9% — perdas atribuídas, em grande parte, à expansão do e-commerce, cujo valor praticamente triplicou na última década (+187%).

Na contramão da queda do comércio de vizinhança, observou-se um crescimento robusto dos serviços associados ao turismo e à hospitalidade. O número de bed & breakfast em centros históricos quase quadruplicou desde 2012, com alta de 290% no Sul, em detrimento da hotelaria tradicional. Paralelamente, crescem segmentos como restaurantes, farmácias e atividades ligadas à tecnologia.

Um ponto de destaque no balanço é o papel dos empresários estrangeiros na contenção do declínio: nasceram 134 mil novas atividades de origem estrangeira no período analisado, contrapondo-se a uma queda de 290 mil empresas comandadas por proprietários italianos. O dado aponta para uma reconfiguração do tecido empresarial urbano, com implicações na oferta de serviços e na composição social dos bairros.

"A desertificação é uma emergência que retira serviços e segurança das áreas urbanas", advertiu Carlo Sangalli, presidente da Confcommercio, ao apresentar o relatório. Sangalli defendeu medidas de regeneração e apoio às pequenas e médias empresas por meio do projeto Cities, voltado à requalificação inteligente dos centros habitados. Na mesma linha, Giorgio Spaziani Testa, presidente da Confedilizia, pediu uma aliança estratégica entre proprietários, comerciantes e autoridades locais para preservar o tecido econômico das cidades.

Da apuração in loco aos números consolidados, o retrato entregue pelo estudo é nitidamente de transformação estrutural: fechamento massivo de lojas tradicionais, crescimento do alojamento temporário e da restauração orientada ao turista, expansão do comércio digital e substituição parcial de atividades por empreendimentos de origem estrangeira. Essas dinâmicas colocam desafios imediatos para políticas urbanas, fiscais e de ocupação do solo.

Para reverter a tendência, especialistas consultados pelo relatório sugerem medidas coordenadas: incentivos fiscais temporários para o comércio de proximidade, políticas de mixidade funcional nos centros históricos, controle sobre a conversão indiscriminada de imóveis residenciais em alojamentos turísticos e programas de apoio à digitalização e ao capital de giro das micro e pequenas empresas. Sem intervenções estruturais, alertam os autores, a perda de pontos de venda continuará a corroer a capacidade das cidades italianas de oferecer serviços básicos e de manter um tecido urbano vibrante.