Tullio De Piscopo volta a Sanremo 2026 aos 80 anos com LDA e Aka 7even para reavivar 'Andamento lento'
Aos 80 anos, Tullio De Piscopo volta ao Ariston com LDA e Aka 7even para regravar 'Andamento lento' na noite dos duos.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Tullio De Piscopo volta a Sanremo 2026 aos 80 anos com LDA e Aka 7even para reavivar 'Andamento lento'
O tempo, para Tullio De Piscopo, nunca foi apenas uma contagem de anos: é um compasso que modela memórias, identidades e histórias musicais. Aos 80 anos — aniversário em 24 de fevereiro — o lendário percussionista napolitano volta a pisar o palco do Teatro Ariston no dia 27, na Noite dos Duetos e das Cover do Festival de Sanremo, ao lado dos jovens conterrâneos LDA e Aka 7even. Juntos eles reinterpretarão o hino que o projetou nacionalmente: Andamento lento.
Esse retorno tem o sabor do ciclo que se fecha e recomeça. Não se trata apenas de nostalgia, mas de um simbólico passaggio di testimone: o veterano que durante décadas integrou a Orchestra di Sanremo e levou a bateria para o centro da canção pop reencontra a cena onde já foi presença constante. Em 1988, com Andamento lento, De Piscopo não só competiu no Festival como também levou o groove para o imaginário coletivo — a canção venceu ainda o Festivalbar e transformou um fraseado rítmico em hit nacional. Voltou ao Ariston em 1989 com «E allora e allora» e mais tarde, em 1993, com «Qui gatta ci cova».
A trajetória de Tullio De Piscopo é também feita de episódios dramáticos que marcaram sua relação com o palco. No Festival de 2006 viveu um momento trágico: soube da morte da mãe apenas meia hora antes de entrar em cena. Mesmo em profunda dor, subiu ao palco para acompanhar os Ragazzi di Scampia e Gigi Finizio — depois deixou o palco devido ao sofrimento. Ainda assim, a sua presença sempre se notou pela energia e pela forma como a bateria não apenas marca o tempo, mas o conta, o reescreve e lhe dá forma.
Em 2018 foi convidado pelos The Kolors para a noite de duelos, numa atuação que incluiu também Enrico Nigiotti — mais uma prova de que sua arte atravessa gerações. Agora, na companhia de LDA e Aka 7even, ambos de Nápoles, o encontro vocal e percussivo assume a dimensão simbólica de um espelho do nosso tempo: a tradição que dialoga com a nova cena, o groove histórico que transforma-se em linguagem contemporânea.
De Piscopo é muito mais que um baterista de fôlego técnico: é um músico com uma carreira de meio século, registrando centenas de discos e transitando com naturalidade entre jazz, rock, funk e canção de autor. Seu nome aparece ao lado de grandes referências da música italiana — entre eles Pino Daniele, Edoardo Bennato, James Senese, Adriano Celentano, Mina, Enzo Jannacci, Ornella Vanoni, Lucio Dalla, Roberto Vecchioni e Fabrizio De André — evidenciando um percurso que é, em si, um roteiro oculto da música popular italiana recente.
Ao reencontrar Sanremo, Tullio De Piscopo oferece ao público mais que uma performance: propõe uma reflexão sobre memória cultural e renovação. É o cenário de transformação onde gerações se reconhecem e reescrevem, juntas, o ritmo que nos move. Para quem ama música e interpretação, a aparição no Ariston será, desde já, um dos momentos mais esperados do Festival de 2026 — uma janela para ouvir como o passado e o presente se sincronizam em beats, silêncios e retomadas.
Enquanto o mundo observa os duelos e as reinterpretações da noite, resta-nos ouvir o estalo da baqueta que, há décadas, funciona como um espelho: refletir o nosso tempo e, ao mesmo tempo, ditar seu pulso.