Spalletti articula a missão de 'sorpasso' da Juventus sobre Roma e Como
Spalletti planeja o 'sorpasso' da Juventus sobre Roma e Como; cenário tático e calendário favorecem busca pela vaga na Champions.
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Spalletti articula a missão de 'sorpasso' da Juventus sobre Roma e Como
TORINO, 12 de março de 2026 — Por Otávio Marchesini, Espresso Italia.
A Juventus atravessa um período de rendimento irregular — apenas uma vitória nas últimas cinco rodadas de campeonato — mas a realidade do calendário e a matemática da classificação mantêm a equipe viva na disputa por uma vaga na Champions. A distância para o quarto posto é de apenas um ponto: o cenário, ainda que tênue, é suficiente para que Spalletti aponte explicitamente para Roma e Como como rivais a serem alcançados.
Essa ambição não nasce do nada. No confronto direto contra os giallorossi, disputado em 1º de março, a Juventus chegou a estar a sete pontos de desvantagem diante da capital até os instantes finais. Foi então que Gatti, com uma intervenção decisiva já aos 92 minutos, arrancou um empate que, em termos práticos, teve valor simbólico e classificatório: um ponto que manteve a diferença administrável.
Logo depois, a equipe voltou a vencer ao superar o Pisa — uma vitória que quebrou um jejum de mais de um mês e serviu para recompor confiança em meio à pressão. Hoje, com o terceiro colocado Como pronto para reagir, na sede da Continassa já se desenha aquilo que a equipe enxerga como a "operação sorpasso" dirigida pelo técnico.
Do ponto de vista aritmético e também psicológico, os confrontos diretos favorecem a Juventus: há no currículo recente uma vitória no Stadium com gols de Conceicao e Openda, além do 3-3 registrado na capital. Esses resultados compõem uma base para o raciocínio de Spalletti: o calendário que se aproxima é, em boa parte, mais gentil com os bianconeri.
Na prática, a sequência que se avizinha apresenta uma janela de oportunidade. A equipe visita o Udinese, enquanto, no confronto direto que interessa, Roma e o time de Gasperini — no comando do Como — se enfrentam entre si. Pelo menos uma das duas chegará ao fim dessa rodada com prejuízo de pontos, abrindo margem para que a Juve avance na tabela.
Mais do que números, porém, a leitura que proponho vai além: trata-se de entender o futebol como palco de reconstruções. A Juventus vive, desde a última década, uma reconfiguração institucional e esportiva que torna cada corrida por vaga europeia mais do que um objetivo técnico — é uma necessidade de recuperação de prestígio. Spalletti, com trajetória que combina experiência tática e gestão de egos, procura transformar esse imperativo em um projeto de curto prazo.
Se a missão é ousada, não é absurda. O futebol italiano, nas suas camadas regionais e urbanas, sempre ofereceu janelas — e as grandes equipes sabem aproveitá-las. Resta agora à Juventus demonstrar regularidade num mês que promete decisões e, sobretudo, que os resultados venham alinhados à ambição traçada por seu treinador.
Assino a matéria com a convicção de quem observa o jogo também como história e memória coletiva. O que está em disputa não é apenas um lugar europeu, mas parte do relato que a próxima geração de torcedores terá sobre esta Juventus.