Em 5 de fevereiro de 2026, o Tribunal de Campobasso emitiu uma Ordinanza de Rimessione que promete redefinir o cenário da cidadania italiana retroativa, especialmente para aqueles que perderam o prazo de solicitação estabelecido em 27 de março de 2025.
Campobasso Declara Inconstitucional a Retirada de Cidadania por Motivos Políticos
Diferente de tribunais anteriores, Campobasso argumenta que retirar a cidadania para reduzir o número de requerentes constitui um “motivo político”, prática explicitamente proibida pela Constituição Italiana. A decisão será unida a referências de Turim e Mântua para audiência histórica em 11 de março de 2026.
1. Os Fatos: Um Caso Tardio que Importa
Até agora, o foco da Corte Constitucional estava em casos “simpáticos”, como pequenos atrasos ou crianças impedidas de registro. Campobasso, no entanto, trata de uma situação mais ampla:
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Requerentes: Duas brasileiras (mãe e filha).
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Solicitação: 26 de agosto de 2025, cinco meses após o prazo legal.
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Situação: Totalmente barradas pela nova lei.
O Ministério do Interior defendeu a aplicação rígida do prazo. A juíza Claudia Carissimi contrariou, afirmando que essas mulheres seriam cidadãs “100%” se não fosse pelo decreto retroativo, tornando necessária a avaliação constitucional do Decreto Tajani.
2. O Argumento Legal: Artigo 22 e Motivos Políticos
O Artigo 22 da Constituição Italiana estipula:
“Ninguém pode ser privado, por motivos políticos, da capacidade jurídica, da cidadania ou do nome.”
Tradicionalmente, este artigo protege contra perseguições políticas. Campobasso ampliou sua interpretação: motivos políticos incluem políticas governamentais que busquem manipular a composição demográfica ou reduzir o número de requerentes.
O decreto admitiu sua intenção: conter o crescimento de requerentes e a ausência de vínculos efetivos. A juíza Carissimi afirmou que isso constitui motivo político, tornando a lei potencialmente inconstitucional. Isso impede que o governo use “sobrecarga administrativa” como justificativa para negar cidadania.
3. O Argumento Processual: Decretos Não Podem Redefinir o Povo
Campobasso também contestou a forma do Decreto Tajani:
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Abuso de Decreto-Lei: Decretos são para emergências extraordinárias, não para problemas estruturais acumulados ao longo de décadas.
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Reserva Parlamentar: A cidadania define “o povo”; alterações significativas exigem debate parlamentar, não decreto rápido.
Essa abordagem fortalece a posição de todos os requerentes que perderam o prazo.
4. O “Tridente Legal”: Turim, Mântua e Campobasso
Os três tribunais atacam a lei de ângulos distintos, criando uma defesa quase inquebrável:
| Tribunal | Foco | Mensagem |
|---|---|---|
| Turim | Lei da UE / Justiça | Mudança de regras rápida demais; requerentes não tiveram tempo suficiente. |
| Mântua | Menores / Status | Cidadania é inerente ao nascimento; não pode ser retirada de crianças. |
| Campobasso | Motivos Políticos / Procedimento | Engenharia demográfica é inconstitucional; decreto não pode substituir o Parlamento. |
Essa combinação cobre direitos individuais, proteção infantil e limites constitucionais, tornando extremamente difícil defender o decreto como está.
5. Implicações Práticas
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Solicitação após 27 de março de 2025: O caso de Campobasso oferece um argumento direto de validade para solicitações tardias.
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Casos de 1948: Reafirma que linhas maternas continuam válidas; a lei não pode atacar direitos já consolidados.
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Menores: Mântua protege fortemente a cidadania infantil, reforçando precedentes favoráveis.
Próximos Passos
A Corte Constitucional ouvirá Turim em 11 de março de 2026. A referência de Campobasso será avaliada depois, mas os argumentos legais apresentados provavelmente influenciarão diretamente os juízes do caso de Turim, fortalecendo a posição de requerentes em toda a Itália.
O “Tridente Legal” formado por Turim, Mântua e Campobasso cria um cenário favorável para requerentes tardios e casos de cidadania histórica. A interpretação de motivos políticos como inconstitucionais pode mudar a forma como o governo italiano aplica limites retroativos, representando uma vitória significativa para aqueles que acreditavam que seu direito à cidadania estava perdido.






















