Assinatura La Via Italia por Aurora Bellini — Quando a paisagem se torna um horizonte límpido e o ar adquire aquele azul cortante do inverno, é hora de iluminar novos caminhos também para os nossos companheiros de quatro patas. O frio intenso exige ajustes na rotina: não bastam apenas os cappottini e as botinhas, é preciso aumentar a atenção para proteger os cães dos mal-estares e, sobretudo, dos perigos invisíveis dos líquidos anticongelantes.
Nas últimas semanas muitas cidades registraram quedas significativas de temperatura, com termômetros abaixo de zero durante a noite e nas primeiras horas da manhã — justamente os horários em que quem trabalha costuma levar o cão para passear. Por isso, cabe a nós adaptar a rotina: reduzir a duração das saídas quando o frio é extremo, mas aumentá-las em frequência nas horas menos geladas, como o meio-dia em dias ensolarados.
Nem todos os cães reagem ao frio da mesma forma. A resistência térmica depende do tipo de pelo, da presença de subpelo e das características corporais. Ainda assim, a maioria dos animais domésticos está habituada a lares aquecidos e pode sofrer com temperaturas baixas. Não hesite em proteger com casacos, suéteres e um bom impermeável quando necessário — ficar molhado aumenta a sensação térmica e favorece problemas de saúde. Cauda e orelhas são partes especialmente vulneráveis; cuide delas com atenção.
Além do desconforto e do risco de hipotermia e congelamento, há ameaças químicas que exigem vigilância: os líquidos anticongelantes e os produtos descongelantes usados nas ruas. Muitos desses produtos contêm etilenoglicol, uma substância de sabor adocicado e extremamente tóxica. A ingestão, mesmo em pequenas quantidades, pode provocar vômitos, desorientação, falta de coordenação e evoluir rapidamente para insuficiência renal. Por isso:
- Evite locais onde há acúmulo de líquidos ou manchas brilhantes no asfalto, calçadas ou caixas de água — o animal pode lamber sem que você perceba.
- Armazene anticongelante e produtos similares fora do alcance dos pets, preferindo recipientes bem fechados e em locais altos.
- Se suspeitar de ingestão, procure o veterinário imediatamente e leve o rótulo do produto. A rapidez salva.
Os sais de degelo (cloreto de sódio, cloreto de cálcio, entre outros) também irritam as patas, causando rachaduras e até queimaduras químicas, além de problemas gastrointestinais se ingeridos ao lamber a pelagem. Ao voltar para casa, limpe as patas com água morna e seque bem. Para passeios longos sobre gelo, as botinhas podem proteger as almofadas plantares; ceras protetoras para patinhas são outra alternativa.
Adapte as saídas: prefira caminhar nas horas mais amenas, encolha a duração das voltas quando necessário e compense com brincadeiras internas — jogar bola, esconde-esconde e sessões de carinho que aquecem o corpo e o espírito. Se você não puder sair ao meio-dia, peça ajuda a vizinhos ou familiares de confiança para que o cão não perca as horas de luz e calor.
Observe sinais de perigo: tremores, respiração lenta, apatia, patas muito frias, pele pálida ou lesionada são indícios de hipotermia ou congelamento. No caso de contato com produtos químicos, sinais como vômito, salivação excessiva, aplainamento, fraqueza ou alterações comportamentais demandam atendimento emergencial.
Por fim, um lembrete de luz: proteger quem amamos é também semear responsabilidade coletiva. Ao cuidar das rotinas, dos produtos domésticos e das escolhas ao sair de casa, tecemos uma rede que protege nossos animais e o ambiente onde todos vivemos.
Fonte: La Via Italia — adaptação e curadoria de Aurora Bellini a partir de informações jornalísticas e veterinárias; inspiração no artigo original do Corriere della Sera.

























