Ciao, viajante—sou Erica Santini, e trago uma história que mistura a beleza serena do Val di Funes com os desafios do turismo contemporâneo. O vale, na província setentrional do Tirol do Sul, é um poema em verde: chalés alpinos aninhados sob os picos recortados das Odle, onde a luz do pôr do sol tinge o cenário de um alaranjado quase pêssego. Esse cartão-postal, porém, tornou-se palco de uma nova tensão entre moradores e visitantes em busca da fotografia perfeita para o Instagram.
Nos últimos anos, a procura pelas imagens das duas igrejas pitorescas—Santa Maddalena e San Giovanni di Ranui—explodiu. Em 2022, o proprietário do prado junto a San Giovanni di Ranui instalou um torniquete de acesso pago para controlar o fluxo de pessoas que atravessavam a sua propriedade. Agora, o município de Funes decidiu intervir diretamente sobre a pequena mas emblemática Santa Maddalena.
“Estamos fartos de grupos turísticos da China e do Japão a descerem ao vale, a estacionarem indiscriminadamente e a ficarem apenas o tempo de tirar umas fotos. Nada contribuem além do lixo que deixam”, disse o autarca Peter Pernthaler, refletindo a exaustão de quem vive ali. Em resposta, a autarquia anunciou que vai restringir o acesso à igreja situada no topo de uma estrada estreita entre maio e novembro.
A partir de maio, uma barreira limitará o tráfego nessa via: apenas residentes e hóspedes de hotéis poderão subir de carro até Santa Maddalena e a algumas casas próximas. Os visitantes serão convidados a deixar os veículos numa zona de estacionamento designada. Quando essa área atingir a lotação, os carros serão encaminhados para vagas mais abaixo no vale. O objetivo é preservar a circulação e a convivência, reduzindo engarrafamentos e invasões de terrenos privados.
Não haverá sistema de reservas para o parque, e a tarifa de estacionamento será aumentada — hoje, custa 4 euros por dia, valor que Pernthaler considera demasiado baixo para dissuadir paragens momentâneas apenas para a foto. A câmara municipal também está em conversações com o vizinho município de Chiusa para avaliar um serviço de autocarro de vaivém que alivie a pressão sobre as estradas estreitas.
“Os residentes chegaram ao limite, por isso decidimos agir. Estamos preparados para fazer mais: este ano, não vamos permitir uma invasão”, afirmou Pernthaler. Ele salienta que não se trata de uma medida contra o turismo, mas sim de ordem prática: a estrada em Santa Maddalena é estreita e, em dias de pico, até 600 visitantes chegam a visitar o local. Mover a barreira para o centro da vila pretende garantir que os turistas cheguem a pé à igrejinha, preservando a tranquilidade e a segurança do lugar.
Como guardiã de pequenas viagens e grandes sabores, convido você a imaginar o cenário com novos olhos: a textura do tempo nas paredes da capela, o perfume dos prados e o silêncio recuperado quando a multidão se acalma. Andiamo com respeito—o Dolce Far Niente do vale merece ser vivido, não apenas fotografado.






















