Ciao, viajante dos sentidos — aqui é Erica Santini para lhe contar um segredo que cheira a incenso, pincel e história. Naquele encontro entre o carisma de Francesco e o gênio de Giotto nasceu uma revolução silenciosa: o passo decisivo do estilo bizantino para uma nova maneira de ver e representar o sagrado. É essa história sensorial que a Umbria celebra com uma exposição que promete fazer-nos assaporare la storia.
Por volta de 1290, um jovem Giotto irrompeu no canteiro da igreja superior da Basilica di San Francesco ad Assisi, chamada a ser um verdadeiro relicário das memórias de San Francesco, o santo considerato alter Christus. Ali, entre paredes que guardavam o tempo, o pintor começou a traduzir a luz, as texturas e as emoções em formas que romperiam com a hieraticidade bizantina e abriram caminho à arte moderna.
Para marcar o oitavo centenário da morte do santo, a Galleria Nazionale dell’Umbria, em Perugia, organiza de 14 de março a 14 de junho de 2026 a mostra intitulada “Giotto e San Francesco. Una rivoluzione nell’Umbria del Trecento“, agraciada com a medalha do Presidente da República. A exposição não só celebra o papel central de Giotto, mas também narra a chegada, no declínio da segunda década do Trecento, de duas presenças igualmente marcantes: Simone Martini e Pietro Lorenzetti, que contribuíram para enriquecer a paleta cultural e pictórica da região.
Como curadora por um instante e amiga que sussurra no seu ouvido, convido você a imaginar a cena: a luz dourada que entra pelas janelas da basílica, o cheiro do gesso fresco, as vozes que discutem composições e devociones. É a própria Umbria — com seus vinhedos, suas pedras e sua calma — tornando-se palco de uma transformação artística que se reflete ainda hoje nas paredes dos conventos e nas praças onde o tempo ganha textura.
Embora a mostra concentre-se em obras e documentos que remontam a esse período crucial, o seu objetivo é mais amplo: revelar como a conversão do gesto pictórico em sentimento visível mudou a relação entre espectador e imagem sacra. Ver de perto esses painéis e afrescos é quase um convite ao Dolce Far Niente contemplativo, uma pausa para perceber a humanidade expressa no rosto de um santo, no jogo de sombras de um manto, na matéria do tempo.
Para quem ama a arte como eu — e para quem viaja buscando os hidden gems de cada região — esta é uma ocasião para mergulhar na Umbria do Trecento, sentir a textura do passado e compreender como um jovem pintor e um carisma religioso podem, juntos, reinventar uma linguagem visual.
Andiamo: marque no calendário a visita entre 14 de março e 14 de junho de 2026 e permita-se navegar pelas tradições, pelas cores e pelos segredos desta exposição que promete ser um abraço entre fé e inovação. E lembre-se: ao contemplar um afresco, você não apenas vê — você saboreia a história.






















