Ciao, queridos leitores — sou Erica Santini, sua curadora de sensações e histórias. Andiamo para Palermo, onde a exposição “Tesori Impressionisti: Monet e la Normandia” abre uma janela para o diálogo visceral entre arte e paisagem. Organizada pela Fondazione Federico II no Palazzo Reale, a mostra foi concebida por Alain Tapié, conservador dos museus da França e diretor da coleção “Peindre en Normandie”.
Para Tapié, a característica essencial da mostra reside no «rapporto fenomenale in Normandia tra la fisica della pittura e la fisica della natura». Traduzo com afeto: é como se a luz, o vento e a matéria do mundo tivessem ensaiado com os pincéis dos artistas — uma parceria que se lê na superfície das telas. Em cada quadro, a natureza não é mera paisagem; é coautora, modelando texturas, reflexos e sensações.
O curador explica que, na Normandia, desenvolveu-se um naturalismo peculiar, onde o trabalho sobre a luz e a matéria busca provocar sensações físicas no observador. Essa busca define, segundo ele, muito do que chamamos de impressionismo: uma técnica que separa as cores e as reveste de luz, permitindo que o olho do espectador recomponha a cena, como um acorde luminoso. Quando Tapié contempla Palermo, ele vê as mesmas forças em atuação — «le pietre levigate dal lavoro fatto dal vento e dalla pioggia» —, como se a natureza e o homem colaborassem no mesmo labor artístico, seja nas ruelas sicilianas, seja nas falésias normandas.
Há, nas salas do Palazzo Reale, a sensação de navegar pelas estações da luz: manhãs úmidas, tardes cortadas por vento do mar, entardeceres que tornam a areia e a vegetação em matéria pictórica. É aquele momento de Dolce Far Niente em que tudo quer ser percebido com os cinco sentidos — o perfume salino, a aspereza da pedra, o brilho da água — e assim a pintura nos convida a saborear a história visual da costa francesa.
Tapié também comenta a relação entre o mercado de arte e o predomínio do gênero paisagem ao longo do século XIX. O centralismo parisiense, diz ele, influenciou escolhas de temas e estilos. Ainda assim, a origem da pintura de paisagem é plurilocal: nasceu e se transformou em lugares diversos, cada um imprimindo seu sotaque cromático e sensorial. A exposição propõe, portanto, uma leitura que não é apenas cronológica, mas geográfica e táctil.
Como amante das pequenas histórias, convido você a passear por essas obras como quem caminha por uma costa: atento às mudanças de luz, aos detalhes que o vento revela e ao segredo que cada tela sussurra. Em Palermo, sob a abóbada do Palazzo Reale, encontramos a Normandia traduzida em cores — uma tradução que comprova que a pintura, em sua essência, é uma forma de conversação com a natureza.
Se fechar os olhos por um instante, pode até sentir o sal no ar e a textura do tempo nas paredes da cidade francesa. Andiamo — venha sentir, olhar e deixar-se tocar por esses tesouros impressionistas. É uma experiência que celebra a hospitalidade da arte: sofisticada, sensorial e profundamente humana.






















