Ciao, viajante: se costuma ver os transportes públicos apenas como um meio para chegar ao destino, permita-me um desvio que vale por uma experiência inteira. Mais do que deslocar, os teleféricos convidam a saborear a paisagem, a ouvir o silêncio das alturas e a sentir a textura do tempo nas paredes das montanhas. Andiamo: aqui vão alguns dos teleféricos mais singulares da Europa, perfeitos para quem busca uma vista que transforma a viagem em memória.
Câble C1 — Inaugurado em dezembro de 2025, o Câble C1 liga a estação Pointe du Lac, em Créteil, à Villa Nova, em Villeneuve-Saint-Georges. Em vez de prolongar a Linha 8 do Metrô, Paris optou por este traçado por causa do relevo acidentado dos subúrbios. Com 4,5 km, é o teleférico urbano mais longo da Europa e a viagem dura cerca de 18 minutos — tempo suficiente para observar a cidade de um ângulo novo, como se navegasse por um quadro iluminado pela luz dourada parisiense.
Schilthorn Cableway — Nos Alpes Berneses, a rota que leva ao mítico Piz Gloria (o restaurante giratório famoso em 007: Ao Serviço de Sua Majestade) é para os corajosos: o primeiro troço entre Stechelberg e Mürren vence 775 metros de desnível em menos de quatro minutos, com uma inclinação impressionante de 159,4%. O percurso completo até o cume do Schilthorn toma cerca de 30 minutos — uma subida vertiginosa que recompensa com vistas cinematográficas e o perfume fresco dos pinheiros.
Matterhorn Alpine Crossing — Da vila alpina de Zermatt até o Matterhorn Glacier Paradise, a cerca de 3.821 metros, este é um dos pontos mais altos da Europa acessíveis por teleférico. A paisagem mistura gelo, pedra e céu: é possível visitar o restaurante de montanha mais alto da Europa e, para os que desejam atravessar fronteiras literal e poeticamente, descer até Breuil-Cervinia, em Itália, cruzando a mais alta passagem de fronteira por teleférico nos Alpes.
CabriO Stanserhorn — Para sentir o vento no rosto, o CabriO Stanserhorn, na Suíça, é um convite ao Dolce Far Niente. A cabine com plataforma superior ao ar livre funciona sobretudo no verão e a subida desde o vale de Kälti demora cerca de sete minutos. No topo, provar um Älplermagronen enquanto se observa a geometria das montanhas é um ato quase ritual.
Titlis Rotair — Em Engelberg, o Titlis Rotair é um carrossel no céu: ao longo dos cinco minutos de viagem a cabine roda 360 graus, garantindo vistas panorâmicas em qualquer posição. Lá em cima, a ponte suspensa mais alta da Europa e uma gruta glaciar completam a experiência sensorial.
Algumas rotas, como as dos teleféricos do Sassolungo, têm as chamadas ‘cabinas-caixão’ — atenção para quem sofre de vertigens ou claustrofobia. Mesmo assim, a promessa é a mesma: cada fio de cabo é uma linha que escreve uma nova história no mapa da memória.
Seja para admirar fachadas urbanas de cima, seja para tocar um glaciar com os olhos, estes teleféricos são atalhos para um panorama que vale a pena guardar. Feche os olhos por um instante, respire o ar fino, e deixe-se levar. Arrivederci até a próxima descoberta — eu, Erica Santini, guardo o segredo para o próximo aperitivo sob o céu europeu.






















