Ciao, viajante — sou Erica Santini, e convido você a respirar fundo e imaginar a Roma que se revela por camadas. Nesta semana, a cidade abriu duas novas estações de metro que não são apenas pontos de passagem: são janelas para o passado, pequenas galerias subterrâneas onde o tempo se faz toque, brilho e pó de história.
A primeira fica mesmo sob o imponente Coliseu, oferecendo uma ligação prática que ajuda a evitar o trânsito caótico da superfície. A segunda situa-se junto da Porta Metronia, integrada nas muralhas Aurelianas do século III. Ambas chegam com vitrines, ruínas expostas e painéis que convidam ao Dolce Far Niente contemplativo — é como saborear a história enquanto se desloca pela cidade.
Batizadas de arqueoestações, as novas paragens exibem as riquezas arqueológicas desenterradas durante as escavações. Na estação da Porta Metronia, um museu com abertura prevista para fevereiro vai apresentar vestígios de um quartel do século II d.C., além de frescos e mosaicos romanos que parecem contar segredos em cores antigas. Já na estação do Coliseu, os passageiros podem ver vasos e pratos de cerâmica, poços de pedra robustos e as ruínas de uma piscina fria e de um banho termal pertencentes a uma casa do século I d.C.
Pequenas vitrines guardam objetos do cotidiano, e ecrãs exibem vídeos do processo de escavação — uma narrativa visual que satisfaz tanto os aficionados de arqueologia quanto o curioso casual. Esses vídeos também explicam, com delicadeza técnica, por que as obras demoraram tanto a ser concluídas: trabalhar em Roma é conciliar engenharia moderna com camadas sucessivas de civilização.
Roberto Gualtieri, presidente da câmara de Roma, descreveu as estações como “verdadeiras atrações turísticas e culturais”. Em suas palavras, o grande desafio foi conjugar o extraordinário patrimônio arqueológico com as obras de engenharia. E, como numa escavação afetiva, “graças a grandes projetos como este, estamos também a redescobrir camadas do passado de que nunca teríamos conhecimento.” É quase poético — a cidade devolvendo a si mesma partes de sua memória.
As duas estações integram a linha C do metro, um projeto em construção há mais de uma década, com avanços travados por entraves burocráticos, financeiros e, naturalmente, arqueológicos. A expectativa é que a linha C esteja concluída até 2035, com um total de 31 estações, refletindo uma ambição clara: melhorar as ligações de transporte público na capital italiana.
No presente, a abertura amplia o alcance da linha, e a estação do Coliseu passa a permitir a troca entre as linhas C e B, um detalhe prático que anima quem explora a cidade. A próxima grande meta na linha, com inauguração prevista para 2033, é a estação da Piazza Venezia, um polo de transportes junto à Colina Capitolina e aos fóruns imperiais — outro coração cultural que promete pulsar ainda mais forte.
Se você me perguntar o que sentir ao descer nessas plataformas, direi: o perfume dos vinhedos não está aqui, mas há o cheiro do tempo. Sinta a textura do passado nas paredes, ouça o eco das eras e deixe-se levar por essa experiência sensorial — Andiamo, Roma espera para ser descoberta, agora também debaixo dos nossos pés.






















