Por Erica Santini — Ciao, amici. Em Roma chega uma proposta que cheira a fermento criativo e tradição: Ear, ou Enacting Artistic Research, transforma a cidade em um delicado laboratório de descobertas, onde a pesquisa artística se apresenta como prática viva e partilhada.
Até 21 de fevereiro, a capital italiana se converte num hub difuso dedicado ao diálogo entre público e academia. O projeto reúne institutos e conservatórios — entre eles a Accademia di Belle Arti di Roma, as Accademie di Firenze e Brera, i Conservatori di Roma Santa Cecilia e dell’Aquila Alfredo Casella, a Università Politecnica delle Marche e l’INFN da Università Roma Tre — para construir uma narrativa plural que cruza arte, ciência, patrimônio, tecnologia e formação avançada.
O que torna Ear tão singular é a sua ambição: decifrar os processos criativos escondidos nas obras históricas, experimentar formatos imersivos que interrogam a inteligência artificial, comparar modelos internacionais de pesquisa artística e projetar dispositivos expositivos capazes de tornar acessíveis técnicas, materiais e estratificações da obra. Andiamo: é uma jornada que se saboreia com todos os sentidos.
O programa é multifacetado — convegnos científicos, exposições, instalações, experiências digitais e momentos de confronto público —, pensado para devolver à pesquisa artística a condição de experiência compartilhada. As atividades propõem tanto reflexões teóricas quanto vivências sensoriais: performers, pesquisadores e técnicos coabitam espaços onde o corpo e a técnica se encontram, onde o saber acadêmico encontra o gesto artesanal, onde o passado reencontra o presente.
Para quem ama percorrer cidades como quem lê um mapa sensorial, Ear oferece «hidden gems»: pequenos dispositivos de leitura de obras, oficinas que revelam camadas pictóricas e sonoras, e experimentos digitais que abrem novas perspetivas sobre o futuro das práticas artísticas. É o chamado ao Dolce Far Niente interpretado como atenção ativa — um convite para escutar as tramas do tempo e sentir a textura das superfícies.
Os encontros internacionais promovem ainda um confronto necessário sobre modelos de pesquisa que, em diferentes países, repensam a relação entre produção artística e investigação. Como se constrói um método na arte? Quais são as ferramentas que permitem tornar transparente um processo criativo? Estas perguntas circulam entre salas de conferência e instalações públicas, criando um pensamento coletivo em movimento.
Seja você um estudioso, um profissional das artes ou um público curioso, Ear mostra que a investigação artística não é um exercício hermético, mas uma prática coletiva que se faz visível e palpável. Em Roma, por esses dias, a cidade sussurra histórias através de projeções, sons e materiais que reclamam atenção — e eu convido você a ouvi-las. Venha saborear a história, tocar o passado e imaginar futuros possíveis. Andiamo, e descubra o que a pesquisa das artes pode ainda nos revelar.
Erica Santini é curadora e editora de viagens, cultura e lifestyle da Espresso Italia. Escreve sobre experiência, tradição e os segredos locais do Bel Paese.






















