Retiros de leitura: uma escapada para saborear histórias e o tempo
Ciao, amiga leitora — imagine um hotel abraçado pela natureza, a luz dourada sobre uma varanda, o perfume dos vinhedos ao longe e um bom livro entre as mãos. Para muitos, essa combinação é a fórmula perfeita de retiro literário. Nesta temporada, as escapadas dedicadas à leitura tornaram-se uma das maiores tendências em viagens de bem-estar, um convite ao autocuidado e ao detox digital.
Mais do que uma oportunidade para avançar numa pilha de leituras adiada, os retiros de leitura oferecem o luxo de desacelerar com companhia afinada: viajantes que procuram silêncio e, ao mesmo tempo, troca de ideias sobre livros ao redor de uma mesa. É o equilíbrio entre o prazer solitário da leitura e a comunhão de recomendações — um verdadeiro aperitivo cultural.
Esses retiros têm atraído, em especial, mulheres entre 30 e 50 anos que buscam reservar tempo só para si, longe das demandas da maternidade, da casa e do trabalho. Emma Donaldson, fundadora da Boutique Book Breaks, identificou essa lacuna no mercado: fins de semana em que as hóspedes são escolhidas para “simplesmente ler, sem tarefas domésticas”. A sua fórmula? Garantir longos blocos de tempo livre para leitura, pontuados por atividades programadas que incentivam a conversa e a partilha.
“É essencial que as pessoas tenham espaço para ler, mas também momentos para se juntarem e conversar sobre o que estão a descobrir nas páginas”, diz Donaldson, que acredita no poder coletivo das recomendações.
Hoje, há retiros de leitura espalhados pelo mundo — desde casas de campo austeras até hotéis boutique entre colinas e vinhas. Donaldson nota também um movimento dos millennials de volta aos livros como forma de escapismo, uma busca por conexões mais profundas e reflexivas. Ler, aqui, é também uma prática de bem-estar, um tempo intencional de pausa e contacto consigo.
Megan Christopher, de 34 anos, fundadora do clube Ladies Who Lit, acrescenta outra faceta: após a fase aguda da pandemia, cresce o desejo por ligação humana real. Para muitas mulheres modernas, alinhar amigas para viajar é um desafio; os retiros de leitura oferecem a vantagem de não exigir decisões constantes — tudo é cuidado, desde as refeições até os pequenos detalhes do dia a dia.
O resultado é uma experiência sensorial: acordar com o canto dos pássaros, saborear um café enquanto se perde nos capítulos, sentir a textura do tempo nas paredes de pedra e, ao entardecer, partilhar impressões com novas amizades. É o convite ao Dolce Far Niente, ao prazer de não fazer nada além de estar presente com uma história nas mãos.
Se procura uma forma de viajar que nutra a mente e o coração, andiamo: escolher um retiro literário pode ser o gesto de autocuidado que faltava na sua agenda.
Erica Santini — La Via Italia





















