Por Erica Santini — Ciao, viajante. Entre a luz dourada dos holofotes e o murmúrio dos corredores, a 46ª edição da FITUR 2026 abriu as portas esta quinta-feira com um tom mais contido: o país ainda vive o peso do acidente de comboio em Adamuz, que vitimou mais de 40 pessoas.
Neste terceiro dia de luto oficial, os monarcas espanhóis, Felipe VI e Letizia, circularam pelos pavilhões acompanhados por figuras institucionais — Vicente de los Mozos, presidente do Comité Executivo da IFEMA; Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madrid; Jordi Hereu, ministro da Indústria, Comércio e Turismo; e José Luis Martínez-Almeida, presidente da Câmara Municipal de Madrid. Em meio a lenços negros e alguns stands fechados em sinal de respeito, a visita foi tanto um gesto de reconhecimento ao setor quanto uma homenagem silenciosa às vítimas.
Ao caminhar pelos corredores, senti o contraste entre o luto e a esperança que o turismo carrega. A participação do México como país parceiro trouxe cores, sabores e vozes latino-americanas à feira; a secretária de Estado do Turismo, Josefina Rodríguez Zamora, e o embaixador do México em Espanha, Quirino Ordaz Coppel, receberam os reis, celebrando a cooperação cultural e turística. Andiamo: há sempre uma história para descobrir sob cada pavilhão.
Os monarcas não pouparam tempo ao visitar o Pavilhão do Conhecimento, onde mais de 250 especialistas de todo o mundo partilham práticas e perspectivas, e onde mais de 190 empresas de tecnologia de viagens apresentam inovações que prometem transformar a forma como navegamos o mundo — do planejamento à experiência sensorial de cada destino.
Para fechar a ronda, Felipe VI e Letizia deslocaram-se ao espaço dedicado à Andaluzia para assinar o livro de condolências em memória das vítimas do acidente em Adamuz. Foi um gesto simples, mas repleto de significado: tradição, presença e respeito — a mesma hospitalidade sofisticada que inspira nossa forma de viajar.
Vários stands optaram por não participar neste último dia de luto oficial, e a atmosfera na IFEMA misturava silêncio e trabalho: negociações, encontros e a persistente vontade de reconstruir pontes entre destinos e viajantes. A FITUR segue até domingo, 25 de janeiro, distribuída em nove pavilhões e com a presença confirmada de mais de 10.000 empresas de 161 países, consolidando-se como a maior plataforma global de turismo.
Como curadora de memórias e experiências, convido você a sentir o perfume dos vinhedos do México, a textura do tempo nas ruas da Andaluzia e a solidariedade que atravessa estes dias difíceis. Dolce far niente? Talvez mais um momento de reflexão: homenagear, aprender e seguir construindo um turismo que acolhe e lembra. Até breve — e que cada viagem seja também um pequeno ato de humanidade.






















