Ciao, amici — aqui é Erica Santini, trazendo um sopro da Itália direto para sua tela. A luz dourada de Perugia atravessa o Atlântico: de 7 de fevereiro a 30 de abril de 2026, a Imago Pietatis, cimasa da Pala dei Decemviri (1495-1496), guardada pela Galleria Nazionale dell’Umbria em Perugia, será uma das obras-âncora da mostra que acontece na Morgan Library & Museum em Nova York.
Esta pequena grande peça, pintada por Perugino em 1495 para sobrepujar a pala original — hoje conservada nos Musei Vaticani — volta a contar sua história longe da Umbria. A cimasa dialogará diretamente com a Pietà de Giovanni Bellini, proveniente do Museo della Città di Rimini, criando um encontro sensorial entre dois olhares renascentistas que respiram alma, corpo e silêncio.
O projeto tem ambição clara: comunicar a riqueza do patrimônio da Galleria Nazionale dell’Umbria além das fronteiras italianas e europeias, como parte de uma série de etapas internacionais. Para tornar este passo ainda mais duradouro nasce o projeto “Friends of Umbria”, uma iniciativa pensada para angariar doações de mecenas americanos em favor dos Musei Nazionali dell’Umbria. É um convite ao cuidado, à proteção das obras e à construção de laços afetivos transatlânticos.
A exposição conta com o suporte do estilista e filantropo Brunello Cucinelli como patrocinador principal. Além do encontro entre Perugino e Bellini, o público verá outros tesouros da coleção renascentista da Morgan, incluindo pinturas de Hans Memling e esculturas de Antonio Rossellino. É um convite para navegar pelas tradições, saborear a história e perceber a textura do tempo nas superfícies pictóricas e nas pedras modeladas.
Para quem, como eu, ama descobrir os hidden gems, este é um momento para sentir a Itália em Nova York: o perfume dos vinhedos transmudado em pigmento, a textura das paredes do centro histórico de Perugia refletida em pinceladas cuidadosas, o silêncio sagrado de uma capela transformado em diálogo entre telas. Andiamo — é uma oportunidade para ver como um fragmento que outrora coroava uma pala pode, séculos depois, falar em voz alta sobre identidade, conservação e herança cultural.
O intercâmbio cultural que a mostra propõe não é apenas museológico, é também social e afetivo. O projeto Friends of Umbria quer transformar admiração em ação concreta: apoio a restaurações, programas educativos e fortalecimento das coleções que guardam a memória viva da região.
Se você estiver em Nova York entre 7 de fevereiro e 30 de abril, permita-se este momento de Dolce Far Niente diante de obras que contam tanto. E se ficar mais longe, guarde na memória essa confluência de olhares renascentistas — porque ver arte é também aprender a ouvir o tempo.
Erica Santini — Espresso Italia




















