Ciao, viajante do mar — se ainda não viu as lendárias Nazaré Big Waves, este fim de semana pode ser a sua chance de sentir, com todos os sentidos, a força do Atlântico em estado puro. O mar vai ficar inquieto e a previsibilidade das ondas é surpreendente: de acordo com a Wavemaps Forecasting, a partir desta quinta-feira a ondulação começa a crescer e promete um crescendo dramático até chegar a valores impressionantes.
As previsões apontam que, na quinta-feira, as ondas poderão ultrapassar os 12 metros. Na sexta-feira, dia 19, a intensidade aumenta e são esperadas ondas superiores a 15 metros. O ápice chega entre domingo e segunda-feira, quando a agitação marítima favorece a formação de ondas gigantes que podem tocar os 20 metros.
Porém, atenção: um vento forte está previsto para os dias de maior ondulação, o que pode tornar a navegação e o surf muito perigosos. Para os mais corajosos, a tentação é grande, mas as autoridades e os serviços de segurança aconselham cautela e, quando necessário, a suspensão da prática do surf nestes dias.
Andiamo: quem for à Praia do Norte para ver o espetáculo encontrará, além da fúria azul, toda uma cerimónia humana — encostas cheias de observadores, câmeras que capturam o spray do mar e o som grave das ondas rompendo. No sábado passado, milhares subiram ao miradouro para assistir a mais uma edição do Tudor Nazaré Big Wave Challenge. O nevoeiro atrasou o arranque, mas assim que os primeiros raios de sol romperam, o espetáculo em água e ar cresceu, como as próprias ondas que tornaram a Nazaré famosa no mundo inteiro.
Esta temporada de Big Waves decorre sobretudo entre outubro e março, com o pico entre novembro e fevereiro, quando tempestades no Atlântico Norte geram ondulações poderosas. O grande segredo por trás desta potência é o lendário Canhão da Nazaré, um desfiladeiro submarino com pelo menos 5 000 metros de profundidade e cerca de 230 quilómetros de extensão. É esse abismo que amplifica as ondulações e transforma mar calmo em colossos de água ao chegar à Praia do Norte.
O recorde mundial de onda surfada permanece nos 26,21 metros, estabelecido pelo alemão Sebastian Steudtner em 2020. Antes dele, a Nazaré já tinha entrado para o imaginário coletivo quando o norte-americano Garrett McNamara surfou uma onda estimada em 23,8 metros, em 2011, garantindo à vila um lugar no Guinness Book of Records.
Por trás desse encontro de destinos e histórias está a persistência dos locais. Foi uma fotografia tirada em 2005 por Dino Casimiro que despertou a atenção internacional e, com esforço e convicção, levou Garrett Mcnamara a conhecer o fenômeno. Amigos e membros do Clube de Desportos Alternativos da Nazaré foram fundamentais para transformar uma pequena aldeia piscatória num verdadeiro hotspot do surf de ondas gigantes.
Se vier, traga os sentidos prontos: o cheiro salino que corta o ar, a textura do spray nas mãos, a luz dourada que pode iluminar a crista das ondas e o murmúrio coletivo das pessoas na encosta. Dolce far niente? Talvez por um instante — mas aqui, o silêncio é tecido pela grandeza do mar. E lembre-se: respeitar a natureza é a primeira regra para assistir a este espetáculo em segurança.
Buon viaggio e até a próxima onda — que seja vista com olhos amantes da beleza bruta do oceano.

















