As exposições imperdíveis do fim de semana em Milão
Se você busca um roteiro cultural que mistura história, luz e mistério, venha comigo — Andiamo. Este fim de semana a cidade se abre como um grande cartão-postal artístico, oferecendo encontros que vão do vigor pictórico do século XIX às paisagens interiores dos contemporâneos. Entre os destaques, brilham os Macchiaioli, a elegância espiritual do Beato Angelico e as telas monumentais de Anselm Kiefer, além de projetos contemporâneos que pulsarão ao redor da cena milanesa, incluindo trabalhos de John Giorno.
Em sintonia com as celebrações de Milano Cortina 2026, Palazzo Reale inaugurou em 3 de fevereiro a grande retrospectiva dedicada aos Macchiaioli. Curada por Francesca Dini, Elisabetta Matteucci e Fernando Mazzocca, a exposição — em cartaz até 14 de junho — reúne mais de 100 obras que recontam a corajosa parábola desse movimento: artistas como Silvestro Lega, Telemaco Signorini e Giovanni Fattori aparecem em nove seções que exploram o gesto ao ar livre, a busca pela luz verdadeira e a revolução silenciosa da pintura italiana do século XIX. Ao percorrer as salas, você quase pode sentir o toque da brisa que inspirou os pintores — é como saborear a história no paladar da cor.
Ainda no Palazzo Reale, na Sala delle Cariatidi, a partir de 7 de fevereiro e até 27 de setembro, abre Anselm Kiefer com a imponente mostra “Le Alchimiste“, curada por Gabriella Belli. O projeto, iniciado em 2023, traz mais de 40 grandes painéis concebidos para dialogar com a cidade de Milão e sua memória — um encontro entre matéria, mito e alquimia. A relação com figuras históricas como Caterina Sforza — mencionada por sua juventude milanesa e por um raro manuscrito com mais de 400 receitas medicinais — confere ao conjunto uma textura quase esotérica: o perfume das imagens mistura-se ao tempo, como se cada tela guardasse um segredo a ser desvelado.
Além desses grandes espetáculos, o circuito semanal reserva surpresas: a serena devoção e a delicadeza das obras do Beato Angelico, que trazem uma luminosidade espiritual capaz de acalmar os olhos e a alma; e mostras contemporâneas que relembram que a cidade respira arte em todos os seus cantos, dos espaços institucionais às galerias íntimas, onde projetos de John Giorno e outros nomes emergentes expandem o diálogo entre imagem e palavra.
Para quem ama mergulhar nas histórias que a pintura conta, recomendo fazer dessa experiência uma pausa sensorial: caminhe devagar, observe a textura das pinceladas, feche os olhos por um momento e sinta a luz — um ritual de Dolce Far Niente que transforma visita em memória. Se puder, reserve audioguia ou leitura prévia das legendas: pequenas chaves abrem portas para narrativas surpreendentes.
Milão, neste fim de semana, convida ao encontro entre tradição e invenção. Traga um caderno para anotar impressões, um bom cachecol para as manhãs frias, e o desejo de se perder nas salas como quem procura uma história antiga à luz dourada da cidade. Ciao e buon viaggio pelas exposições — nos vemos entre as pinceladas.
Erica Santini
Curadora afetiva e cronista de viagens | Espresso Italia




















