Ciao, viagemiros — sou Erica Santini, sua cúmplice na busca por experiências que tocam os sentidos. Nesta semana, o calendário cultural nos oferece um leque que vai do classicismo ao contemporâneo: de Bernini e Tintoretto a nomes do século XX como de Pisis e Depero, até as vozes visuais mais recentes do Japão.
No coração do Friuli, em Trieste, abre-se uma mostra que convida a uma imersão serena: “Japan. Corpi, memorie, visioni” no Magazzino delle Idee, visitável de 14 de fevereiro a 7 de junho. Produzida e organizada por Erpac – Ente Regionale per il Patrimonio Culturale del Friuli Venezia Giulia e curada por Filippo Maggia e Guido Comis, a exposição reúne mais de 80 obras — fotografias e videoarte — de 16 artistas contemporâneos japoneses. Estruturada em três núcleos — Memória e Identidade, Corpo e Corpos, Realidade e Visão — a mostra promete oferecer um panorama profundo e sensorial sobre a cena fotográfica e videográfica nipônica atual. Imagine passear entre imagens que guardam o perfume da memória e a luz cortante de narrativas íntimas: uma experiência quase como degustar um saké raro enquanto se lê uma carta antiga.
Mais ao sul, em Lecce, a Fondazione Biscozzi | Rimbaud, em colaboração com a Associazione per Filippo de Pisis, inaugura também no dia 14 de fevereiro a exposição “Filippo de Pisis e les Italiens de Paris”, com curadoria de Paolo Bolpagni e Maddalena Tibertelli de Pisis. Visitável até 10 de maio, o projeto investiga a experiência dos Italiens de Paris, o grupo de artistas italianos que floresceu na capital francesa, e que abriga afinidades e contrastes, incluindo figuras como Massimo Campigli, Giorgio de Chirico, Filippo de Pisis, René Paresce e Alberto Savinio. É um convite para sentir a textura do tempo nas paredes de ateliers parisienses — entre cafés, passeios no Sena e conversas ardentes sobre estética.
Esta seleção de exposições é um lembrete gentil de que o roteiro cultural pode ser também uma jornada dos sentidos: tocar com os olhos as superfícies esculpidas por mãos clássicas, escutar silêncios capturados por uma lente contemporânea, e deixar-se envolver pelas narrativas que unem memória e presente. Para quem ama colecionar pequenas revelações, estas mostras são paradas obrigatórias — perfeitas para um passeio de fim de tarde seguido de um aperitivo, a la Dolce Far Niente.
Se planeja visitar, recomendo reservar um tempo para observar os detalhes: o jogo de luzes nas fotografias japonesas, a disposição íntima das obras em Lecce, e, sobretudo, para sentir o pulso da cidade que recebe cada exposição. Andiamo: permita-se saborear a história, a modernidade e os segredos locais que cada galeria guarda.
Nota prática: confira horários e possíveis exigências de reserva nos sites das instituições antes de ir. Buon viaggio culturale!






















