Ciao, sou Erica Santini, sua amiga ítalo-brasileira que convida a saborear cada detalhe da cidade. Em uma manhã luminosa de descoberta, reabre em Milão a renovada Galeria do Antigo Egito no imponente Castello Sforzesco, depois de nove anos de portas fechadas.
O novo percurso expositivo apresenta cerca de 330 objetos — entre sarcófagos, amuletos, papiros, pequenas esculturas de bronze, vasos canópicos e estelas — e traz à luz 80 peças exibidas pela primeira vez ao público, pertencentes a um acervo que ultrapassa as 3.000 peças. É uma coleção que respira história e tradição, reconstruída com escavações, doações e aquisições ao longo de dois séculos.
Organizada em seis seções temáticas, a exposição permanente é concebida como uma verdadeira viagem sensorial pelo tempo: do IV milênio a.C. até o século V d.C. Andiamo — percorremos corredores onde a luz foi pensada para revelar a textura do tempo nas paredes e nos artefatos, e os instrumentos de didática ajudam a navegar entre ritos, crenças e ofícios de uma civilização que ainda sussurra segredos.
“Restituímos à cidade uma Galleria completamente nuova”, afirma o assessor de Cultura, Tommaso Sacchi. O cuidado no novo allestimento reflete-se no relato museográfico, na iluminação e nas ferramentas educativas, que valorizam não apenas a riqueza material, mas o contexto humano por trás de cada objeto.
As origens dessa coleção em Milão remontam aos primeiros decênios do século XIX, e seu crescimento foi constante. Nos anos 1930, a administração municipal financiou escavações na região do Fayum conduzidas por Achille Vogliano, papirologista e professor universitário. Em 1935, em Medinet Madi, Vogliano encontrou um vasto complexo templar com duas estátuas do faraó praticamente intactas — descobertas que enriqueceram decisivamente o acervo.
Ao passear pela Galeria, sentimos o perfume de papiros antigos, a frialdade polida dos sarcófagos e o polvilhar de história que cobre cada peça. Para quem ama o detalhe e a narrativa, este reaberto espaço no Castelo Sforzesco é um convite ao Dolce Far Niente cultural: sentar-se, observar, ouvir as histórias inscritas nos símbolos e nas matérias-primas que sobreviveram aos milênios.
Mais do que uma reabertura, é uma promessa: redescobrir o Antigo Egito dentro do coração de uma cidade que, como Roma, guarda camadas de civilização. Venha com os olhos curiosos — e com a sensibilidade aberta — para navegar pelas tradições, tocar com a imaginação e trazer para casa uma porção da luz dourada daquela terra antiga.
Informações práticas: a Galeria do Antigo Egito já está aberta ao público no Castello Sforzesco, com visitação permanente estruturada em seis núcleos cronológicos e temáticos. Uma experiência para todos os sentidos e para o tempo.






















