Ciao, amantes da arte — sou Erica Santini e convido você a saborear a história que lembra o perfume dos vinhedos e a textura do tempo. A cidade de Ravenna abre, de 1º de março a 3 de maio, uma janela sensorial sobre os últimos vinte anos de um dos nomes mais inquietos da pintura italiana: Mattia Moreni (1920-1999). A mostra no MAR – Museo d’Arte della città di Ravenna, curada por Serena Simoni, é o ato final de um amplo projeto concebido por Claudio Spadoni que entrelaça cinco museus da Romagna — Bagnacavallo, Forlì, Santa Sofia, Bologna e Ravenna — em celebração à obra do mestre.
Andiamo: depois de exposições que mergulharam em fases decisivas — da formação e do período informale às séries históricas como as Angurie e os autorretratos, além da reconstrução da antológica de 1965 em Bolonha por Arcangeli — o MAR concentra-se na produção de Moreni do início dos anos 1980 até 1999. São cerca de trinta grandes obras, organizadas em duas seções para revelar a profundidade e a consistência de uma pesquisa pictórica que nunca deixou de inquietar.
Entre os destaques estão as séries Regressione della Specie e os Umanoidi, verdadeiros últimos portos da criação de Moreni. Nessas telas, a matéria parece oscilar entre memória e ficção, como se o artista, a cada pincelada, tentasse decifrar a relação entre humano e natureza, entre corpo e mito. A paleta e a textura convidam o espectador a tocar com os olhos — a luz da sala ecoa a luz dourada que tantas vezes banha as cidades da Itália, e a poesia visual convida ao Dolce Far Niente contemplativo.
Moreni, nascido em Pavia, formado em Turim e marcado por longas temporadas em Paris, fez da Romagna seu lar a partir de 1970. É nesse território que seu trabalho encontrou novas ressonâncias, imantando artistas, críticos e o público por décadas. A mostra do MAR fecha um ciclo de celebrações que percorreu também Bagnacavallo, Forlì, Santa Sofia e Bolonha, cada parada iluminando facetas específicas de uma obra multiforme — do informalismo às séries mais icônicas, até a síntese final apresentada em Ravenna.
Para quem visita, a experiência vai além da simples observação: é um convite a navegar pelas tradições e a sentir a jornada do artista. A curadoria de Serena Simoni organiza as telas de modo que o público possa perceber as transformações temáticas e técnicas, como páginas de um diário pictórico que nos contam sobre inquietudes íntimas e questões coletivas do final do século XX.
Se você busca um programa cultural que una história, emoção e descoberta — um hidden gem para guardar no coração — marque na agenda: MAR, Ravenna, 1 de março a 3 de maio. Andiamo: permita-se ser tocado pela intensidade de Mattia Moreni e pela hospitalidade sofisticada das salas que guardam esta última temporada de sua criação.
Informações práticas: exposição no MAR – Museo d’Arte della città di Ravenna; período: 01/03/2026 a 03/05/2026; curadoria: Serena Simoni; projeto maior coordenado por Claudio Spadoni com parcerias em Bagnacavallo, Forlì, Santa Sofia e Bologna.






















