Ciao, viajante do tempo e das memórias: chego com uma notícia que é um verdadeiro convite ao Dolce Far Niente cultural. O programa Luoghi del Cuore, na sua XII edição, trouxe um sopro de esperança para cantos do nosso país que guardam histórias, arquitetura e paisagens prestes a desaparecer. Em uma parceria calorosa entre o FAI – Fondo per l’Ambiente Italiano – e a Intesa Sanpaolo, foram selecionados 20 projetos de restauração e valorização distribuídos por 11 regiões, do norte ao sul da Itália.
Ao todo, serão alocados 700 mil euros — a cifra mais alta já destinada até hoje a este programa — para beneficiar lugares pouco conhecidos ou subvalorizados, muitos em situação de risco, mas que representam a nossa identidade coletiva e um patrimônio riquíssimo de arte, história e natureza.
Entre os tesouros escolhidos, encontro com prazer o Eremo della Quisquina, aninhado no interior da província de Agrigento, numa floresta de carvalhos seculares nos Monti Sicani; o emblemático Asilo Sant’Elia, obra-prima do modernismo projetada em 1937 por Giuseppe Terragni no então bairro operário de Como; o pitoresco borgo de Nidastore, o castelo mais setentrional de Arcevia (Ancona); e o pequeno mas afetuoso Museo Filippa de Rimella, na Alta Valsesia, com sua coleção de objetos que, no passado, contavam o mundo aos habitantes dos vales.
Do ponto de vista financeiro, 520 mil euros são destinados aos projetos selecionados através do edital da XII edição, enquanto os 180 mil euros restantes completarão o apoio a outras iniciativas escolhidas pelo FAI em consonância com os objetivos do censimento.
O que me encanta não é só o número — é a escolha sensível desses lugares que guardam a memória coletiva e narram tradições locais, a luz dourada de pequenas praças, o perfume dos vinhedos, a textura do tempo nas paredes. É como recuperar páginas de um diário comum: cada pedra, cada sala restaurada é uma frase de volta à vida.
Andiamo: este investimento reforça a importância de olhar para a Itália como um mosaico vivo, onde comunidades e instituições se unem pela tutela do patrimônio. O programa Luoghi del Cuore não é apenas restauração física; é um gesto de hospitalidade sofisticada para futuras gerações — um convite a saborear a história com os cinco sentidos.
Se você, leitor, sonha em descobrir esses hidden gems, acompanhe as iniciativas do FAI e da Intesa Sanpaolo: cada projeto restaurado é uma pequena travessia pelo coração da Itália, pronta para ser vivida novamente. A cultura respira, e nós podemos ajudá-la a respirar mais fundo.
Erica Santini — Espresso Italia






















