Ciao — sou Erica Santini, e hoje trago uma notícia que mistura política cultural e a sensação agridoce de descobrir um segredo em plena Piazza. O Louvre, o museu que abriga a luminosidade da Mona Lisa e a textura do tempo nas suas salas, anunciou esta semana um aumento nos valores de entrada para a maioria dos visitantes não-europeus.
O reajuste eleva a entrada individual de €22 para €32 — um acréscimo de cerca de 45% — e integra uma política nacional de preços diferentes que começou a ser anunciada no início do ano passado. A mudança entra em vigor enquanto o museu tenta reforçar as finanças afetadas por greves repetidas, pela crónica sobrelotação e até pelo assalto às Joias da Coroa francesa, um episódio que abalou a instituição.
Segundo o próprio museu, a nova tarifa aplica-se a visitantes que não sejam cidadãos nem residentes da União Europeia (UE), nem de Islândia, Liechtenstein e Noruega. Grupos guiados terão um preço específico: €28 por pessoa, com limite de 20 pessoas por visita — uma medida pensada “para manter a qualidade da visita”.
Como numa pequena praça onde conversas cruzam-se entre cafés, as reações foram variadas. Alguns turistas questionaram a lógica do aumento: “Em geral, para turistas as coisas deviam ser um pouco mais baratas do que para os locais porque temos de viajar para vir até aqui”, disse Darla Daniela Quiroz, vinda de Vancouver. Para outros, a atração continua irresistível: “É uma das principais atrações aqui em Paris… vamos lá na mesma”, afirmou Allison Moore, do Canadá.
Vozes críticas também se fizeram ouvir. Sindicatos franceses argumentam que a medida contraria a missão universal do museu mais visitado do mundo, enquanto a organização ACGT Culture alerta para o risco de transformar o acesso à cultura em um “produto comercial”, criando desigualdades no acesso ao património nacional.
Algumas categorias continuam a ter entradas gratuitas, como menores de 18 anos. Este ajuste sucede outro aumento recente: em janeiro de 2024 o bilhete padrão já havia subido de €17 para €22.
O Louvre não está sozinho nessa dança de preços. Outras importantes atrações francesas também adotaram tarifas diferenciadas este mês. No Palácio de Versalhes, por exemplo, o bilhete “Passe” vai custar €35 em época alta para visitantes que residam fora da UE — frente aos €32 praticados para cidadãos ou residentes do bloco. Na Sainte-Chapelle, a entrada subiu para €22 para não residentes na UE, contra €16 para quem vive em países do bloco.
Essa tendência de tarifação variável já tem ecos pela Europa: em Veneza, por exemplo, a taxa para visitantes de um dia pode chegar a €10 em fins de semana e dias de maior afluência, enquanto residentes locais são isentos. É um debate que toca o bolso, mas também a alma do turismo: quem tem o direito de saborear a história e a que preço?
Como amante das viagens que sou, vejo nesse episódio o contraponto entre a necessidade de sustentabilidade das instituições e o desejo de manter a cultura acessível a todos. Andiamo com atenção — porque o modo como cuidamos do nosso património diz muito sobre o que valorizamos coletivamente.






















