Ciao, viajante sensível às artes — sou Erica Santini, sua curadora de alma ítalo-brasileira. Neste fim de semana, convido você a saborear a história através de mostras cuidadosamente selecionadas, onde a luz e a matéria contam segredos.
Do escultor mongol Zanabazar às recordações do Liberty do começo do século XX, passando por nomes contemporâneos como Maurizio Cannavacciuolo, Rachele Bianchi e Mimmo Rotella: estas são as exposições que aquecem os corredores das galerias e nos chamam para uma experiência sensorial.
Galleria Borghese — Zanabazar. Dalla Mongolia al Barocco Globale
Em Roma, até 22 de fevereiro, a Galleria Borghese acolhe a mostra “Zanabazar. Dalla Mongolia al Barocco Globale“, em colaboração com o Museo d’arte Orientale di Torino. São duas obras centrais que propõem um paralelo fascinante entre Bernini e o coevo Eshidorji, conhecido pelo nome espiritual Zanabazar. Figura venerada como reincarnação de um dos quinhentos discípulos originais do Buda, Zanabazar era um chefe espiritual de carisma extraordinário, linguista brilhante e — sobretudo — considerado o maior escultor mongol da idade moderna. Andiamo: sentir a textura do tempo nas superfícies esculpidas é quase como ouvir um sussurro antigo.
Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea — Promenade
Também em Roma, na Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea, está em cartaz a individual de Maurizio Cannavacciuolo, intitulada “Promenade“, curada por Marco Tonelli com Angelo Bucarelli, em exibição de 19 de janeiro a 1º de março. A instalação reúne quatro grandes óleos em preto e branco, diante dos quais se dispõem quatro vasos em cerâmica pintada — obras que estabelecem um diálogo entre pintura e objeto, silêncio e presença. É um convite ao passeio interior, um caminho onde a vista encontra o tato imaginado.
Liberty, Rachele Bianchi e Mimmo Rotella
Entre as propostas do fim de semana, não faltam reverências ao Liberty e às correntes artísticas que animaram o início do século XX: exposições que reativam formas, ornamentos e histórias de cidades que se vestiram de modernidade. Destaques contemporâneos, como Rachele Bianchi e Mimmo Rotella, continuam presentes no circuito expositivo, cada um com sua poética que desperta memórias visuais e olfativas — o perfume dos vinhedos e a luz dourada das fachadas transformadas em arte.
Se pretende planejar um roteiro cultural, recomendo escolher pelo menos duas paradas: uma que o conecte com o passado (como a experiência barroca e mongol de Zanabazar) e outra que o desafie ao presente (as instalações monocromáticas e os trabalhos contemporâneos). Dolce far niente entre uma galeria e outra: sente-se num café, escute a cidade e deixe que as obras falem.
Quer mais dicas locais, pequenos segredos e indicações de percursos sensoriais? Andiamo — eu trago o mapa emocional, você traz a curiosidade.





















