Ciao, sou Erica Santini, sua curadora de histórias e memórias do Bel Paese e além. Hoje convido você a passear comigo por um mapa sensível: a lista de 2026 dos sítios de património em risco na Europa, elaborada pela Europa Nostra. É um roteiro que mistura a luz dourada da história com a responsabilidade contemporânea — e, se prestarmos atenção, há sempre um caminho para salvar o que toca a alma.
A Europa Nostra, a maior rede cívica europeia dedicada ao património, selecciona anualmente locais que correm perigo. Em 2026, sete sítios foram apontados como os mais ameaçados: entre eles, a antiga cidade de Minoa e a aldeia de Katapola, na ilha de Amorgos, bem como as casernas britânicas em Malta. Cada inclusão na lista não é um veredicto final, mas um chamado à ação — um convite para que especialistas, comunidades e financiadores trabalhem em conjunto.
Desde 2013, o programa de candidaturas tem sido um motor para mobilizar conhecimento técnico, travar intervenções inadequadas e captar financiamento público e privado. Cada sítio selecionado pode receber uma subvenção do Banco Europeu de Investimento (BEI) no valor de 10 000 euros para iniciar medidas de salvaguarda. Mas o processo vai além do apoio financeiro inicial: trata-se de estruturar um plano de ação que coloque a comunidade no centro.
O que está em risco
Na ilha de Amorgos, as aldeias de Katapola e a antiga cidade de Minoa são testemunhos vivos da continuidade humana desde a Antiguidade. Imagine as fachadas acariciadas pelo sal, o aroma das ervas secas ao entardecer, a textura do tempo gravada nas pedras — tudo isso corre perigo devido a projetos de expansão portuária em grande escala. Esses projetos ameaçam a paisagem cultural e a integridade do sítio arqueológico, assim como a vida da comunidade local.
Em Feked, no sul da Hungria, o Moinho de Água Fábri (construído em 1788) conserva memórias: a técnica dos moleiros, o som rítmico da água, a história de famílias que passaram o saber de geração em geração. Segundo a Europa Nostra, o moinho expressa «séculos de transmissão de saberes, perícia técnica e tradição comunitária». Hoje, enfrenta degradação estrutural, riscos de cheias e abandono — ameaças que podem ser revertidas com intervenção cuidada.
As casernas britânicas em Malta também apareceram na lista, lembrando-nos que a herança europeia é feita tanto de sítios rurais quanto de estruturas militares e urbanas. A sua preservação exige sensibilidade para conciliar memória histórica com usos contemporâneos.
O plano de salvação
O próximo passo para cada sítio é a formação de equipas de especialistas que recolherão informação, conversarão com as partes interessadas e realizarão missões no terreno para avaliar o estado de conservação. Essas missões alimentarão um relatório com recomendações e ajudarão a desenhar um projeto específico a ser implementado nos próximos dois anos, com apoio da subvenção do BEI.
Há, no entanto, algo mais sutil que nenhum plano técnico pode substituir: a vontade da comunidade de ser parte da história em preservação. A Europa Nostra sublinha que esses locais não são apenas pontos no mapa — são motores potenciais de desenvolvimento socioeconómico sustentável. Proteger o património pode significar revitalizar economias locais, preservar ofícios e oferecer um modelo replicável para outras ilhas e regiões.
Uma chamada para agir — e para sonhar
Como guardiã de histórias, acredito que a conservação é também um gesto de hospitalidade. Salvar estes sítios é permitir que futuras gerações saboreiem a história, sintam o perfume dos vinhedos, caminhem pelas ruelas onde o tempo deixou sua textura. Andiamo: há oportunidades para que profissionais, autoridades e moradores trabalhem juntos — e para que cada pequeno gesto se converta em proteção duradoura.
Fique atento: a inclusão na lista 2026 é o início de uma jornada. Nos próximos meses, vão surgir iniciativas, reuniões comunitárias e laudos técnicos. Se deseja acompanhar ou apoiar projetos locais, informe-se junto da Europa Nostra e das autoridades regionais. Guardar o património é, acima de tudo, um ato de amor compartilhado.
Património, memória e comunidade — cuidemos dos nossos lugares com paixão e rigor. Dolce far niente? Sim, mas com atenção: preservar também é um prazer que se vive junto.






















