Por Erica Santini – Espresso Italia
Uma nova onda de preocupação sussurra pelas praças e estações da velha Europa: o continente pode receber menos turistas de fora em 2026. O alerta vem do relatório Long-Haul Travel Barometer 1/2026, realizado pela ETC (European Travel Commission) em parceria com a Eurail, que sondou viajantes em sete mercados extraeuropeus-chave: Austrália, Brasil, Canadá, China, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos.
Os números têm sabor agridoce: apenas 42% dos inquiridos dizem que ponderam fazer uma viagem à Europa em 2026 — uma queda de três pontos percentuais comparada ao ano anterior. Entre quem não planeja viajar para o estrangeiro, o principal motivo é prático e cruel: custos elevados (52%), seguido de uma preferência crescente por experiências mais próximas de casa.
Quando o foco é especificamente a Europa, o custo volta a emergir como o maior obstáculo — apontado por 43% dos entrevistados — e é especialmente sensível entre os viajantes mais jovens (18-34 anos). Ainda assim, há um elemento que brilha: a segurança. Para 51% dos inquiridos, a segurança tornou-se o critério mais importante na escolha de um destino europeu, um aumento significativo em relação ao ano anterior. O relatório destacaa Europa como líder global em estabilidade política, segurança pessoal e gestão de riscos naturais.
«A questão do preço é claramente uma preocupação, sobretudo para os viajantes mais jovens, e seria preocupante se o aumento dos custos criasse barreiras estruturais às viagens», afirma Eduardo Santander, diretor executivo da ETC, em declarações à Euronews Travel. Com a sensibilidade de quem conhece as ruas e os trens, Santander lembra que a força da Europa está na sua diversidade — «oferecendo uma vasta gama de preços, modos de viagem e tipos de alojamento».
Como preservar a magia sem sacrificar a acessibilidade? Segundo o executivo, a chave passa por criar valor, não simplesmente reduzir preços. Entre as medidas sugeridas estão incentivar viagens fora da época alta, melhorar ligações ferroviárias a preços acessíveis, apoiar alojamentos pensados para jovens e promover experiências autênticas para além dos grandes cartões-postais. Em outras palavras: menos turistas nas filas, mais roteiros que façam o coração bater — e o bolso respirar.
Os jovens, acrescenta Santander, são adaptáveis e atentos ao valor; eles viajam movidos por significado e por valores. «Destinos que reflitam sustentabilidade, inclusão e igualdade atraem mais do que simplesmente atrações famosas», diz. E há ainda uma verdade poética: sustentabilidade e acessibilidade podem caminhar lado a lado — estadias mais longas em locais menos óbvios, viagens de trem que perfumam a viagem com paisagens e tempo para o Dolce Far Niente, e iniciativas locais que tornam a cultura acessível sem diluir sua autenticidade.
Para quem, como eu, ama a luz dourada de Roma e o perfume dos vinhedos toscanos, a notícia é um convite para reinventar: Andiamo além dos circuitos, descubra experiências locais, troque um vôo intercontinental por um comboio noturno que conta histórias nas estações, escolha hostels boutique ou casas de família que guardam segredos na cozinha. A Europa pode — e deve — oferecer caminhos acessíveis para que a próxima geração continue a saborear a história do continente sem que o preço apague o desejo de partir.
Enquanto as autoridades de turismo e operadores repensam estratégias, fica o desafio romântico e prático: conjugar hospitalidade sofisticada com soluções reais de custo. Se o continente vencer este desafio, teremos de novo ruas cheias de passos curiosos, risonhos e jovens — prontos para descobrir os segredos locais sob o céu eterno do Bel Paese e além.






















