Sou Erica Santini, e convido você a descobrir comigo um novo capítulo que a areia do Nilo acaba de revelar. Uma missão arqueológica conjunta franco-egípcia desenterrou, no sítio de Sheikh al-Arab Hammam, em Qena (entre Luxor e Hurghada), um complexo residencial em tijolos de barro datado do século XVIII — acompanhado, surpreendentemente, por um cemitério copto subterrâneo de época bizantina.
As descobertas foram apresentadas pelas equipes no Cairo: Hisham al-Laithi, do Conselho Supremo das Antiguidades, afirmou que até então se sabia muito pouco sobre a área. Andiamo, então, ao coração da escavação: foram identificadas seis casas com anexos próximos a uma zona industrial; algumas casas exibem cúpulas construídas em tijolos de barro, enquanto outras conservavam telhados feitos com troncos de palmeira.
Ao percorrer as salas reveladas, os arqueólogos encontraram traços de reboco branco em certos aposentos, um sopro de luz que nos permite imaginar a cor e a textura dos interiores de então. Abaixo desse núcleo residencial, os pesquisadores localizaram o cemitério copto, apontando para uma sobreposição de épocas que transforma o sítio em um palimpsesto da vida ao longo dos séculos.
Ahmed Shaw, chefe da missão, descreveu o local como rico e multifacetado: moedas de bronze, fragmentos de cerâmica, brinquedos infantis, joias, tecidos e outros vestígios do cotidiano surgiram durante os trabalhos. Cada peça é uma nota na partitura da memória — o perfume dos tecidos, a sensação áspera do barro, o brilho apagado das moedas, todos contando pequenas histórias de uma comunidade que viveu ali.
Como curadora de momentos e de descobertas, não consigo deixar de imaginar as rotinas desses habitantes — o Dolce Far Niente entre pátios sombreados por palmeiras, o cheiro do pão assando, o riso de crianças com seus brinquedos. Essas camadas arqueológicas nos permitem saborear a história, tocar a textura do tempo nas paredes e sentir a continuidade entre épocas bizantina e otomana.
Os trabalhos ainda estão em curso: grande parte da antiga cidade permanece a ser escavada, e os achados iniciais prometem uma rica narrativa sobre as atividades comerciais e domésticas locais. A proximidade com uma área industrial moderna ressalta o contraste entre passado e presente, convidando-nos a refletir sobre a persistência dos lugares através dos séculos.
Esta descoberta em Qena é mais do que um título de jornal; é um convite a atravessar a sombra das cúpulas de barro e ouvir os sussurros de vidas passadas. Convido você a seguir essa história conosco — uma jornada sensorial pelo Egito que revela segredos guardados sob a areia, como quem descobre um velho diário com páginas intactas.
Perseguiremos as próximas etapas das escavações com o olhar curioso e a reverência de quem compreende que cada fragmento é um pedaço de humanidade. Ciao, e até a próxima descoberta — com o perfume dos vinhedos do Bel Paese em pensamento, sempre buscando a poesia nos detalhes.






















